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Diogo Limão

Recursos Humanos

Recrutamento: Kit de Primeiros Socorros?

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O "Manel" está ferido!  Depois de já ter participado em vários processos de recrutamento, a sua motivação está a deteriorar-se a passos largos, a luz ao fundo do túnel está a apagar-se e a sede de ser recrutado está a deixá-lo desidratado! O "Manel" apressa-se para pegar no seu Kit de Primeiros Socorros, que construiu com a ajuda de um profissional de Recursos Humanos/Coach. Venha conhecer esse Kit!

 

O "Manel" é uma pessoa como tantas outras: é um individuo com sonhos, metas e objetivos de vida e de trabalho. Têm uma história de vida pessoal e profissional riquíssima, que parece só ele e os que lhe são próximos serem capazes de ver, com clareza. A sua situação é: depois de algum tempo à procura da nova oportunidade profissional, ele comecou a ficar doente. "Tanto trabalho com isto... Vou a tantas entrevistas e nada acontece...", e já não se sente como sentia: ele está ferido, naquilo que lhe é mais valioso nesta fase de transição: a sua autoestima e motivação para seguir em frente de cabeça erguida a cada "não" que recebe.

O "Manel" sente que ao entrar numa farmácia, daquelas com a cura à disposição de quem quiser [candidatar-se a mais um anúncio de emprego] deve pagar com a autoestima de uma pessoa saudável, quando, na sua cabeça, o que existe é o sentimento de que o seu esforço por algo novo não é suficiente.

 

Na verdade, existem por aí muitos "Manéis". E infelizmente uma doença resistente não se cura administrando sempre o medicamento igual. Para ser-se diferente tem de se fazer diferente. Pode parecer cliché mas, num primeiro nível, não temos de ser diferentes dos outros para ter resultados diferentes. Temos de ser diferentes de nós mesmos. Se a nossa estratégia não está a permitir-nos ser recrutados alguma coisa tem de mudar. 

 

Ainda hoje, numa conversa de colegas, partilhei com as minhas colegas: muito grave não é estarmos a ser chamados para uma entrevista, é estarmos a ser chamados e, repetidamente, ver-mos as portas a fecharem-se à nossa frente. Recorrendo a um ditado muito popular, cheio de verdade: "o pior cego é aquele que não quer ver". Agora, isto traduzido naquele léxico que eu conheço do Coaching e do atingimento de objetivos: nesse cenário, quando se tem um nível de autoconhecimento e autoconsciência reduzido, cai-se no erro de se culpabilizar os outros pelos resultados que se está a ter. É de essa forma que, a pessoa em sofrimento, consegue amenizar a dor que sente por as coisas não estarem a resultar como pretendia. Paradoxalmente, para olhar para fora é preciso primeiro olhar para dentro.

 

A pergunta que se impõe será, talvez, como ser-se diferente quando só se conhece o "igual"? Acredito que pesquisar novas formas e ser irreverente ao ponto de as tornar uma realidade é um bom começo. Recorrer a um profissional de Coaching para facilitar o processo é outra forma muito inteligente. Agora, se acedeu a este texto com o intuito de descobrir essas "novas formas" que lhe falei, pode ser que o consiga ajudar a levar alguma coisa de interessante deste texto.

 

Ao longo de dois parágrafos fi-lo ler uma história metaforizada sobre o "Manel", na qual procurei relacionar as dores da procura de emprego, como se dores reais se tratassem. Espere, deixe-me reformular o que disse: as dores do recrutamento são reais. Colocam doentes famílias e pessoas que querem dar ao mercado de trabalho, que por sua vez parece não estar a cooperar. Haverá um Kit de Primeiros Socorros? Talvez, na medida em que fazer coisas diferentes podem trazer resultados, realmente, diferentes. 

 

Deixo-lhe algumas sugestões:

 

1. Eleve a sua autoconsciência

É importantíssimo. Deve conhecer-se melhor do que a pessoa que o está a entrevistar. Isto significa que tem de ter a capacidade de comunicar quem é, da forma mais real e verdadeira possível, para que não permita que a imagem que deixa registada num recrutador é apenas a percebida. Veja a autoconsciência como as suas armas profissionais: sabe quem é, no que é bom e no que tem de melhorar. Investir tempo em conhecer-se garante que não coloca palas nos olhos, culpabilizando outros pelo desempenho que queria ter e não teve. Responsabiliza-o.

Como fazê-lo? Deixo-lhe duas dicas: i) Análise SWOT pessoal (objetivo: conhecer as suas forças, fraquezas, oportunidades e ameaças enquanto pessoa e profissional); ii) Análise em 360º (objetivo: conhecer a perceção que os outros que se relacionam consigo têm de si. Quanto mais essa perceção for idêntica à sua melhor).

 

2. Conheça os seus valores profissionais

Se a autoconsciência representa as armas que têm à sua disposição, então, conhecer os seus valores profissionais é, de facto, a bússula da sua carreira. Quem conhece os seus valores não irá, certamente, candidatar-se a qualquer coisa, disparando para todos os lados, na esperança que o recrutador veja em si coisas que não existem. Saiba o que o move e verá que transmitirá ao recrutador quem é enquanto profissional de uma forma que mais segura e numa linguagem que, quando descodificada pelo recrutador, será equivalente ao falar de "valores de cultura". Este conhecimento fá-lo, também, ter maior facilidade para responder à questão do ponto seguinte.

 

3. Responda à pergunta: qual a razão para...?

Seja criança, novamente, voltando à idade dos "porquês"! Questione-se porque faz o que faz, porque trabalha na sua área, pense sobre o que poderá estar, realmente, por detrás da sua vontade de mudança. Se soar cliché, volte a perguntar qual a razão, realmente, até a verdade ressoar em si. Muitas vezes não está a procurar emprego na empresa X porque se licenciou em na área Y. Relacionando com os valores profissionais, poderá estar a candidatar-se à empresa X porque esta se dá a conhecer como sendo uma empresa que fomenta o espírito de equipa, a cooperação, a liberdade ou até a conciliação trabalho-família -- valores esses que poderão ser basilares para si e dos quais não quer abrir mão.

Um exemplo muito prático: se me fosse perguntado "Qual a razão pela qual adoras o recrutamento e o Coaching?

[Nível mais superficial da resposta] - Porque enquanto estive na faculdade tive uma experiência num departamento de RH que incluiu as duas vertentes e que me fez mudar a minha vida noutra direção.

[Um pouco mais profundo] - São duas áreas em que posso comunicar com outros, coisa que adoro, e sentir que posso contribuir para vidas mais felizes e realizadas bem como novas perspetivas de carreira.

[Um pouco mais profundo, recorrendo a alguns dos meus valores] - Sinto-me feliz e realizado nessas duas áreas porque o meu trabalho tem Significado. Sinto que posso contribuir (Contribuição), dar de mim aos outros. Posso ser verdadeiro (Verdade) com a minha melhor versão de mim e pôr à disposição do meu trabalho características que vejo em mim: a empatia, comunicação e sentido de humor para conseguir criar melhores relações de trabalho.

 

4. Reescreva a sua narrativa

A forma como nós transmitimos a nossa história é decisiva para os resultados que temos na nossa procura de emprego. Quanto mais "nãos" uma pessoa recebe, durante a sua procura de emprego, mais negro fica todo o cenário que envolve a história profissional de uma pessoa. Muitas vezes, apenas porque a motivação necessária para tornar o discurso cativante falta.

Por ser grande defensor da PNL (Programação Neuro-Linguística), defendo que as nossas palavras vão moldar os nossos comportamentos e, por isso, é de extrema relevância tomar atenção à narrativa que dizemos a nosso respeito, em ambiente de entrevista. Como é o seu discurso? Como faz referência aos seus feitos? Estão os sentimentos negativos que a sua procura de emprego lhe geram, a influenciar negativamente a perceção que os recrutadores têm de si?

Reflita nisso e escreva-a numa folha à parte. Leia e veja se lhe trás benefícios assim ou de outra forma. Já sabe: se houver uma melhor forma de transmitir a sua história, reescreva-a e saiba-a muito bem.

Atenção que não lhe estou a pedir para alterar os factos, mas sim para tomar consciência se há uma melhor forma de os transmitir. As pessoas são cativadas e atraídas pela verdade -- por algo que bata certo, como uma bonita melodia -- e conseguem detetar mentiras e meias-verdades.  

 

5. Dedique-se ao LinkedIn e use-o de forma inteligente

Dedique mais tempo a completar o seu perfil e a obter conhecimentos sobre como melhor utilizar a rede e, não menos importante, sobre os melhores comportamentos para potenciar a sua imagem digital. 

Desde completar o perfil na lógica de se tornar mais atrativo e aparecer com maior rapidez no topo da lista de resultados aos comportamentos a ter, como por exemplo: sempre que envia um convite de conexão dever-se acrescentar uma pequena mensagem ao pedido, antes de enviar. Desta forma mostra cortesia e, acredite, já está a fazer diferente da maioria dos utilizadores da rede.

 

6. Reformule os seus materiais de auto-promoção

Sim, falo de CV e restantes meios de promoção (LinkedIn, como referi anteriormente, mas também perfis de sites de emprego, etc.). A melhor dica que tenho para lhe dar é munir-se da contribuição de um profissional de RH, caso pretenda dicas já!. Contudo, todo o esforço nesta tarefa irá por água a baixo se não tiver todo um trabalho, feito em si próprio, já feito -- e bem feito. O CV e os outros meios servem para levá-lo até à entrevista, depois disso, valerão de pouco. Pode ter o CV mais bonito do mundo mas não cativar o recrutador durante a entrevista. Deve estar preparado. Existem várias dicas que pode seguir, deixo-lhe algumas aqui e aqui.

 

7. Tenha um foco e seja consistente

Eu não sou defensor de "disparar em todas as direções". Dessa forma só está a criar mais ansiedade do que aquela que é natural em todo o processo. Deverá candidatar-se com foco: saber o que quer é meio caminho andado para fazer uma escolha acertada.

Depois, nem sempre poderá socorrer-se da motivação. Acredito que poderá concordar comigo nesse aspeto. Para os momentos em que a automotivação falham, deverá estar presente a consistência, tanto ao nível da procura de emprego tradicional como digital, recorrendo ao LinkedIn. Como partilhei consigo no início do texto, não há formulas mágicas mas, com muita certeza, existem comportamentos que, se consistentes, serão potenciadores.

Seja consistente a enviar CVs; a conversar com pessoas que o possam referenciar; a aumentar a sua rede profissional; a dar aos outros, disponibilizando a sua ajuda, porque não sabe quando os outros se lembrarão de si para retribuir o "favor".

 

 

Quanto à doença do recrutamento, falarei com o "Manel" -- a nossa personagem fictícia -- e partilharei com ele que a melhor forma de se precaver dos sintomas é antecipá-los, mantendo-se atento ao mercado e a praticar comportamentos potenciadores da empregabilidade, antes de eles serem vistos como SOS.

 

Espero que este artigo tenha contribuído para a sua procura de emprego e, se está nessa atividade -- que deverá ser ATIVA -- desejo-lhe que encontre a sua nova opotunidade com muita rapidez!

As competências fascinam-me!

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Drop the bomb: as competências fascinam-me! Passo a explicar: enquanto profissional de Recursos Humanos, freveroso entusiasta de Recrutamento e Seleção e desenvolvimento profissional, defendo claramente a Gestão pelas Competências. Subscrevo -- até certo ponto --, que em grande parte das funções devemos -- como li uma vez numa publicação algures -- "contratar caráter e treinar competências". As competências não são águas paradas: identificam-se, desenvolvem-se e mobilizam-se! Isso fascina-me e, por isso, escrevo sobre isso para quem quiser ler!

 

Todos os dias nascem novos textos de blogue e publicações sobre competência. Está nas bocas do mundo, contudo, para o comum profissional "não-RH" alguns conceitos importantes nesta matéria não são vistos como -- muito -- relevantes e por isso lá vão passando despercebidos. E se eu lhe dissesse que quem entende a linguagem dos RH pode começar a falar a linguagem dos RH? Trocando isto por miúdos quero dizer-lhe que quem entende a importância das competências, entende o próximo passo que deverá dar para se tornar ainda mais atrativo para o mercado de trabalho e, claro, para os meus colegas de área, vulgo, recrutadores. 

 

Deveria ser obrigatório todos os estudantes acabados de sair da faculdade -- e todos os trabalhadores em transição, ou aqueles que estejam a pensar nisso, bem como todos os profissionais que se querem manter no top of mind dos recrutadores -- fazerem uma introspeção profissional. Diria mais: deveria ser mandatório cada um de nós elaborar uma pequena inventariação das competências (de forma simplista, saiba que são os conhecimentos e habilidades em ação) que possui e aquelas que deveria possuir. Só assim se consegue evoluir porque -- atenção ao termo RH e aos restantes que venham a negrito -- temos consciência de quão profundo e distante é o nosso gap de competências (nada mais é do que a distância entre as competências requiridas relativamente às que se possui).  

É importante saber que, nesse gap, nem todas as competências são iguais nem todas pesam da mesma forma para uma organização e para o seu planeamento de RH e competências. Este peso que se encontra nas competências varia de acordo com tantas variáveis (como o mercado em que a empresa concorre, o próprio mercado de trabalho, os objetivos estratégicos da empresa, etc.) e encontra-mo-lo em diversos tipos de competências que deverá conhecer.

 

As competências que terá de analisar em si, enquanto pessoa-indivíduo e pessoa-profissional -- porque, novamente, as competências são mobilizáveis, ou seja, são utilizáveis tanto em ambiente pessoal como profissional, quando necessário -- são:

 

  • Competências transversais

Estas competências são aquelas que são transversais, ou seja, mobilizáveis em diferentes funções e, até mesmo, em diferentes empresas. Alguns exemplos de competências transversais podem ser o sentido de pontualidadesentido de humor, criatividade. Como pode ver, serão importantes tanto para o(a) Diretor(a) de RH como para o(a) rececionista. E estas competências podem ser observadas em contexto não-profissional, como certamente poderá concordar comigo.

Para a generalidade das pessoas, é fácil obter feedback sobre a observação das competências desta natureza recorrendo a amigos e familiares (atenção que a informação poderá vir um pouco enviesada...).

 

  • Competências técnicas

Apresento-lhe, então, as competências que terá mesmo de utilizar na sua função. São estas que o tornam um profissional de uma área específica. De forma prática, um Técnico de RH deverá ter conhecimentos e competências específicas nos domínios da sua área de formação/atuação. Assim, algumas competências técnicas para o Técnico de RH são, de forma pouco exaustiva, e como exemplos, a empatia, o sentido de confidencialidade, orientação para o cliente interno e externo.

Veja que, para além do referido, pode encontrar, como competências técnicas, as competências linguísticas, de informática ou organizacionais (se o seu objetivo for esmiuçar esta grande área). Poderá ter, também, competências básicas -- que garantem o nível mínimo satisfatório de desempenho numa função -- e competências críticas -- garantem-lhe um desempenho acima da média. 

 

Parece-lhe complicado? Se leu o livro A Única Coisa, de Gary W. Keller e Jay Papasan, a lógica é a mesma, só que irá pensar em competências. Então, para realizar o exercício inicial, que lhe propús, comece por uma grade lista de competências e, depois, escolha aquelas que deverá colocar em cada tipo ou natureza. O próximo passo do exercício vem já já

 

Antes que a sua atenção para termos mais técnicos se esvaia como areia da praia nos seus dedos num dia de verão, saiba que eles são importantes! Sim! "Para quê?" Já sabe, creio. Não o vou cansar dizendo que são imperescindíveis para, não só, se candidatar a uma posição em aberto numa qualquer empresa, como para continuar no próprio processo. Não basta estarem só no papel, deverá ser capaz de as mobilizar prontamente e utilizá-las quando elas são necessárias. Exemplo concreto: capacidade de comunicação eficaz e, muito provavelmente, gestão do tempo em ambiente de prova de seleção. 

 

Ah, voltado à importância de identificar o seu gap de competênciasnão conhecê-lo poderá ser a origem dos seus problemas de recrutamento -- não o querendo assustar, mas passo a exemplicar... --, poderá estar a vender-se acima ou abaixo do seu valor ou, até mesmo, relativamente ao é procurado. E acredite, ambas as situações têm consequências chatas, como por exemplo não ser chamado para um nova fase por ser a mais ou a menos...

 

Suponho que já tenha uma lista em mente e precisa de ter noção de como a usar de forma inteligente, para beneficiar dela enquanto profissional. Como dizem os brasileiros, precisa de cair na real. real aqui é a palavra que precisamos: a sua realidade dever ser clara, sem enviesamentos percetivos (deverá ter auto-consciência). Quanto mais a sua visão de si for aproximada à dos seus amigos, familiares, pares, chefias e clientes mais preparado estará para se vender eficientemente porque sabe o real valor das suas competências. É uma segurança para si, enquanto profissional, conhecer-se bem como para a sua -- futura -- empresa. 

 

Espero que este texto lhe tenha sido útil e espero que estejamos mais próximos, através de uma linguagem comum!

 

BONUS!

Grandes personalidades do mundo dos negócios, como Elon Musk, defendem que o caminho a seguir pelos profissionais não é a especialização mas sim um conhecimento vasto sobre diversas áreas, ou seja, o profissional do futuro será aquele com competências diversificadas e que consiga mobilizá-las entre diversos cenários. 

Assim recomendo-lhe que desenvolva as competências que já tem e que aprenda novas competências!

 

Aposte nessa lógica da diversificação de saberes e competências e aventure-se a aprender com os cada-vez-mais-bem-vistos cursos online, criados por universidades e escolas de renome internacional.

 

Falo do que conheço por isso recomendo-lhe, por agora, o Coursera e o EdX para se desenvolver e se tornar um profissional mais competitivo!

 

 

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Com expressão na rúbrica:

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Quando a razão é a melhor desculpa

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Adoro as minhas reflexões pós-treino, ao som de um country calminho. É assim, descontraído, que escrevo sobre a chave para a transformação: auto-conhecimento e realidade. Num texto apoiado por palavras simples e genuínas, olhemos para aquilo que nos bloqueia. Quase tudo é alterável e, principalmente, resignificável. Vamos trabalhar nisso.

 

Tenho refletido muito sobre este tema ultimamente, tenho de confessar... Aquilo que eu conhecia e estava habituado alterou-se um bocadinho e tenho procurado pôr no lugar as coisas que se foram alterando para me alinhar, novamente, com aquela minha identidade que pensava que conhecia.

 

Mudei de casa porque fui admitido numa empresa em Tires, numa localização em que os transportes escasseam e tudo é longe, se os transportes públicos forem o único meio de transporte viável. A verdade é que, quando a sorte bate à porta, vêm as escolhas de vida, os custos de oportunidade e as relações de ganha/perde e quando dás por ti estás-te a perguntar "E agora, quem sou eu?". O Diogo que eu vinha a conhecer facilitava Coaching a clientes numa base quase diária, trabalhava em recrutamento e vivia em Lisboa, a cidade em que sempre quis viver e trabalhar. Conhecia-me assim e gostava daquilo que tinha escolhido. Trabalhava e vivia a seguir "a estrelinha" que sei que tenho, uma paixão pelo desenvolvimento e crescimento humano, dos RH e dos profissionais. Se me fosse perguntado, hoje, como descreveria tudo isso numa palavra ou duas diria, certamente, "contribuição". Dar de mim aos outros e para os objetivos deles, pois assim atingia os meus. Hoje em dia tento, todos os dias, reescrever a minha narrativa. Aquela que dá sentido às minhas ações, define as minhas crenças e alinha os meus valores.

 

Nestas situações gosto -- e faço questão -- de me esforçar por olhar a realidade de uma ótica exterior, como se uma pessoa estranha a mim se tratasse. Analisá-la para melhor perceber com o que estou a lidar. Durante este exercício vejo e retiro várias perceções e -- sempre -- encontro desculpas a que chamo, amavelmente, de razões. Verdade seja dita, requer treino permitir ao nosso cérebro que coloque as desculpas na gaveta das razões, estando conscientes que elas não podem ficar ali. Temos de as retirar e fazer qualquer coisa com elas. Mesmo que doa e que nos assuste porque é desconhecido e o que é desconhecido nos congela (pelo efeito natural de fight/flight). 

 

Este exercício resulta porque nos dá clareza e reduz a distância entre uma realidade percebida (influenciada por aquilo que somos, pensamos, ouvimos e conversamos com outros) e a realidade como ela é. E veja, isto é verdade para tantas áreas: do desporto à procura de emprego! Qual é a verdadeira razão para não o praticar? E quanto ao emprego, o que falta para mudar para algo que realmente o realiza? Bem, sobre este tópico do emprego, deixemos para um próximo texto! 

 

Faça o exercício e veja que quando muitas vezes aquelas razões que dizemos a nós mesmo são as melhores desculpas para não fazer acontecer! 

 

As desculpas tornam-se razões quando admitimos que a dor é maior que o prazer que algo nos causa. Esse é o mote para a mudança porque iremos querer fazer algo para alterar a nossa situação. 

 

Quanto a mim vou-me encontrando, alinhando-me com a minha melhor versão de mim: sou um profissional de Recursos Humanos, com imensas possibilidades e oportunidades pela frente -- independentemente do que esteja a fazer atualmente -- sou Coach, na minha essência mesmo não estando a facilitá-lo profissionalmente todos os dias -- sou escritor no meu blogue, que me alinha com o meu propósito -- sou uma pessoa em constante desenvolvimento. Nesta minha narrativa quero estar presente, genuino, verdadeiro e também tudo aquilo que conhecia de mim que ainda cá está: sou empático, continuo a querer o bem e o desenvolvimento dos outros porque isso traz o meu próprio bem e desenvolvimento e continuo a seguir aquela "estrelinha" que sei que cá está. Este sou eu. Diferente de antes, mas a essência está cá!