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Diogo Limão

Recursos Humanos

A felicidade não é um pacote de bolachas

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Ouvi esta expressão há algum tempo atrás, embora já não me recorde bem onde. Por aguma razão ficou comigo e, de vez em quando, cá vem parar ao meu consciente. "A felicidade não é um pacote de bolachas" é uma expressão que tem várias interpretações e, hoje, deixo-vos a minha, aqui, no blog. 

 

É verdade, decidi puxar pela criatividade dos meus seguidores do Facebook e perguntei-lhes o que eles achavam que a frase significava. Gostei das respostas que tive, umas mais próximas da minha interpretação do que outras, mas gostei! O espetro de interpretações foram desde a Economia -- relativamente à "satisfação" que mais uma bolacha dá a quem a come e como esta satisfação vai diminuindo à medida que se come mais uma bolacha -- à Matemática -- qual é a probabilidade de ser feliz sabendo que se comeu um pacote de bolachas. No limite poderia estar a falar no mesmo registo que utilizei quando escrevi sobre Bolo de Chocolate ou um Gelado de Limão, mas não. Vou arriscar fazendo uma interpretação diferente.

 

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Há dias atrás, precisando de transporte para a estação de comboios, chamei um táxi específico. E fi-lo não por acaso: gosto de pessoas diferentes que se destaquem no que fazem, por essa razão. Tenho o número que está associado àquela viatura guardado na minha lista de contactos do telemóvel por uma razão em especial: aquele senhor, que conduziu o táxi, é diferente do que é recorrentemente anunciado nas noticias sobre o tipo "taxista" -- despreocupado com o cliente, antipático, e tudo o que há de negativo para descrever aqueles profissionais -- e, por valorizar isso, escolho-o a ele ou ao colega que conduz aquele carro, quando preciso de usar um táxi, naquela cidade onde estava. A questão importante aqui é que, durante a viagem, acabamos por conversar sobre a falta de compaixão que existe naquela profissão e, mesmo, na sociedade em geral. 

Não caiamos no erro de generalizar, porque nem todas as pessoas são assim. Mas a verdade é que a falta de treino no sentido de termos compaixão pelo próximo faz com que deixemos de querer o bem alheio. Não fará esta lógica, tão deixada de parte, sentido nas nossas vidas cada vez mais individualistas?

 

Acredito que sim: que devemos ser menos individualistas e querer o bem do próximo e a sua felicidade, assim como queremos a nossa. Foi, por isso, que a expressão que dá título a este texto ressoou em mim. Fui percebendo com o tempo que sozinhos chegamos longe, porque não estamos dependentes de outros e podemos gerir o nosso tempo à nossa maneira, contudo, estamos limitados dentro da nossa própria realidade. Por outro lado, caso estejamos disponíveis para não ser tão individualistas e permitamos que outra pessoa entre connosco nos desafios que temos para superar não será, apenas, uma realidade em jogo mas sim duas, com tudo o que têm de melhor (para potenciar) e de pior (para atenuar), podendo, até, chegar ainda mais longe do que sozinhos. As possibilidades, assim, não são ilimitadas mas são quase isso. 

 

Ah, é verdade: as bolachas? A felicidade não é um pacote de bolachas porque, contrariamente ao que acontece com este -- se eu tirar uma bolacha, a outra pessoa não pode tirá-la novamente, havendo aqui sempre uma dualidade: para eu ter algo, a outra pessoa tem de deixar de ter. Com a felicidade não é, de todo, assim. Não é por eu me sentir feliz por mim que a outra pessoa não pode estar feliz na sua vida. Não é por eu estar feliz que não posso querer que a outra pessoa seja feliz também. O resultado de eu acreditar no contrário (lógica do ter/perder) é estar a gastar a minha energia pensando que "devo ser mais feliz" que a outra pessoa e não a estando a usar para, de facto, correr atrás do que me faz feliz. E se a nossa felicidade passar pelo outro? Por exemplo, estar grato (já provado que está diretamente ralacionado com o sentimento de felicidade) por ter outras pessoas que me permitem praticar o que me faz feliz e o contrário, também. 

 

Não vejamos a felicidade como um pacote de bolachas porque ela não o é. Há espaço para todos. Se queremos uma analogia com bolachas façamo-la com o tipo de bolachas que vemos na imagem de capa deste texto, as bolachas com pepitas de chocolate, em que na massa (representando a vida), temos várias pepitas que nos definem, motivam e nos dão razões para sermos cada vez melhores pessoas e melhores profissionais.