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Diogo Limão

Recursos Humanos

A Incondicionalidade nos BONS Objetivos (e como os definir)

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A forma como encaramos os objetivos que estabelecemos na nossa vida é crucial para que o resultado seja positivo e consigamos, de facto, atingí-los. Há vários pontos importantes a considerar quando falamos sobre objetivos e é sobre isso que trata este texto. Em primeiro lugar, aproveitar para relembrar o primeiro passo para definir objetivos concretizáveis -- a sua estruturação -- e, depois, falar numa grande crença que limita o sucesso que esperamos desses objetivos. 

 

Um bom objetivo tem de ser bem construído até ao pormenor. Devemos conseguir, com ele, visualizar com clareza qual o objetivo final que pretendemos, a forma como vamos operacionalizar esse objetivo por ações e, obviamente, saber de que forma este objetivo é alcançável e realista. Muitos experts nesta matéria defendem algumas fórmulas de sucesso para definir bons objetivos e, desse conjunto, destaco três:

 

Os objetivos devem ser SMART (eSpecíficos, Mensuráveis, Alcançáveis, Realistas e Temporizados).

  • Específicos para que consigamos visualizar o resultado e saber o que é, para nós, o sucesso nesse objetivo;
  • Mensuráveis para que nos seja possível monitorizá-lo e identificar quando o atingimos;
  • Alcançáveis e Realistas, tendo em conta a conjetura, competências e recursos atuais ou possíveis de ser adquiridos;
  • Temporizados, uma vez que temos de ter presente quando queremos chegar ao resultado que pretendemos.

Também devem ser PURE (Positivo, entendido (Understood), Relevante e Ético)

  • Deverá ser positivo, já que assim criam maior motivação para o seu atingimento;
  • Deverá ser entendido (principalmente quando estabelecido numa relação de Coaching). Deve ser entendido o que é que o objetivo pressupõe e requer de quem o define, para que o resultado seja o esperado;
  • Deve ser relevante para quem o define, uma vez que, se isso não acontecer, poderá perder força e não levar a tomar uma ação concreta. Acredita-se que os objetivos devam ser "eu-centrados", ou seja, que a motivação parta de genuinamente de quem o criou, já que é-lherelevante, e não para "fazer um favor" a outra pessoa;
  • Deverá ser ético, não prejudicando ninguém à volta de quem o define, nem prejudique a própria pessoa.

E CLEAR (estimulante (Challenging), Legal, amigo do ambiente (Environmentally friendly), Adequado e documentado (Recorded))

  • O objetivo deve ser estimulante ao ponto de levar à ação;
  • Deverá ser legal, e amigo do ambiente. Requer, da pessoa que o define, consciência ambiental e relacional;
  • Deverá ser adequado à situação atual e futura que se pretende atingir;
  • Deverá ser documentado, como forma de levar a pessoa à sua própria responsabilização e para que seja possível, fácil e rápido, a sua monitorização.

 

Agora que já tem o que precisa para definir bons objetivos, basta pôr em prática: porque não define:

  1. 1 objetivo de longo prazo -- ou objetivo final -- e
  2. 3 objetivos de curto/médio prazo -- ou objetivos de desempenho -- (quem diz 3, diz aqueles que sentir necessidade) para monitorizar o quão bem está a atingir o objetivo final.

 

Imagine que quer perder 10 quilos até ao final do primeiro semestre de 2018, para se sentir com maior bem-estar geral (um 9, numa escala de 1 a 10, em que 10 é o maior nível de bem-estar possível) e conseguir acompanhar os seus filhos nos passeios de bicicleta, ao fim-de-semana (fator de motivação intrínseca, realmente importante para si!). Este é o seu objetivo final, o seu end goal.

Poderia traduzí-lo em objetivos de desempenho. Como? Talvez definir que, até ao primeiro trimestre, iria perder 5 quilos; iria fazer caminhadas/corridas, 3 vezes por semana, até ao final do prazo do objetivo final (primeiro semestre de 2018), durante 45 minutos -- se quiser ser ainda mais específico -- a uma velocidade média de 8.40 min/km.

 

Uma pequena nota pessoal, que me vai levar ao próximo tema deste texto: a incondicionalidade nos objetivos. Para isso recorrer-me-ei de um clássico objetivo no qual a incondicionalidade está clara: a perda de peso/mudança alimentar. Este é um desafio meu, pelo qual trabalho todos os dias.

 

Todos nós estamos familiarizados com o facto de, se queremos atingir uma meta relativa ao peso corporal, ou de nível de fitness em geral, temos de manter uma prática de exercício físico (cardio e força) regular e uma alimentação minimamente regrada. E, dessa forma, sabemos que existem os cheat days, aqueles dias em que pode comer porcarias que, de forma diária, iriam estragar aquilo que procura atingir. Este tipo de refeição, para mim, traduz a incondicionalidade existente nos objetivos desta natureza.

 

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A incondicionalidade é, por assim dizer, a nossa capacidade para entender que há momentos para trabalhar naquilo que pretendemos atingir e que há outros em que podemos fazer algo que, não indo completamente contra o que definimos, pode sair do plano pré-estabelecido. Mais, é o reflexo de um discurso interno empático para connosco próprios, que nos irá empoderar e motivar ao invés de nos tornar culpados por algo que escolhemos e que, acima de qualquer coisa, nos dá algum prazer. Sou incondicional comigo se, de uma forma positiva, entender que posso não ir treinar um dia para me reunir com os meus amigos; sou incondicional se por uma lesão pequena, entendo que as minhas ações podem sair do que previ mas que posso escolher fazer exercícios mais leves ao invés do treino comum.

 

Ser incondicional é fazer a nós próprios o que faríamos a um irmão a enfrentar um insucesso: procurariamos entender a sua realidade, de forma empática, motivando-o e criando-lhe um rede de segurança, através da compaixão, e dir-lhe-iamos que "para a próxima vai correr melhor" e ajudávamo-lo a ver que poderiam haver outros caminhos.

 

Assim, já sabe: defina muito bons -- excelentes! -- objetivos e trabalhe para eles, responsabilizando-se pelo resultado e pelas suas ações! Não se esqueça de não ser duro consigo mesmo, ao ponto de se desmotivar. Seja incondicional, sem nunca perder o foco.