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Diogo Limão

Recursos Humanos

Celebremos por tudo!

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Hoje o dia começou relativamente normal: despertei depois de madrugar a estudar para um teste, com um sono dos diabos -- não somos de ferro, não nos enganemos -- e fui tomar o pequeno-almoço. À parte de ter tido teste hoje, para o qual me sentia relativamente bem preparado, o dia tinha tudo para correr de forma miseravelmente comum. Sim, sem nenhum momento de felicidade explosiva nem de aborrecimento ou outro sentimento menos positivo... Um dia como os outros simplesmente normal e comum, portanto. 

 

É quando, mesmo por uma fração de segundo, nos colocamos a pensar nas coisas com as quais estamos gratos, é aí que as coisas vêm, e às vezes de enchorrada fazendo-nos pensar, por isso, "eh lá, tantas coisas boas com as quais estou grato!

Acredito que este pensamento do tipo "gratidão em revista" não é por acaso, tendo começado há poucos dias e está relacionado com o final de um ciclo, que está terminar, para iniciar outro que espero tão bom ou melhor. Como é habitual nos estudantes do Ensino Superior, vem a fase da escrita das fitas. Eu costumo dizer, na brincadeira que "não faço fretes", por isso, o ato de dar uma fita a alguém é algo quase sagrado para mim. Não me interpretem mal mas só recebe uma fita minha aquelas pessoas que têm vindo a contribuir para o meu crescimento académico/profissional até agora e, neste processo, está uma transação simbólica -- e grande -- é o reconhecer o quão grato estou por aquela pessoa estar na minha vida, fazendo-o pelo entregar de uma fita. 

 

Achei estranho, hoje, depois de sair de um teste que, com certeza, não estará para o Excelente (que virá expresso pela numeração habitual no Ensino Superior) sentir que precisava de exteriorizar este sentimento de que devia MESMO de festejar. Mas festejar o quê? Achei absurdo, tendo até partilhado com o meu irmão esta minha estranheza pouco depois de sair da Escola. "Pelo teste não foi...", pensei. Não pode ser assim tão absurdo, pensei, e mentalmente contruí uma Roda da Vida de forma muito simples, para ver se conseguir tirar daqui alguma resposta (para quem não está familiarizado com o conceito desta Roda: é um instrumento usado com os clientes em contexto de coaching, onde estes expressam a sua satisfação atual com cada área da sua vida). Este é um exercício muito inteligente e que deve ser repercutido por toda a gente: temos uma questão em aberto na nossa mente? Então é preciso responder-lhe. Devemos começar, em primeiro lugar, por tomar muita atenção ao que estamos a pensar e depois ir procurar as respostas que precisamos, de forma introspetiva. Depois, não sendo fácil organizar todas a nossas ideias, podemos partir para um coach ou para um psicólogo (consoante as nossas questões por arrumar).

 

Temos de ter um conta que um dos maiores desafios da vida adulta não é o não ter tempo é sim não dar atenção. A nós, aos nossos pensamentos, necessidades e desejos bem como aos dos outros que nos rodeiam.

 

O exercício de exteriorizar a gratidão é tão importante como tomar consciência dela, diz a Psicologia Positiva. De uma forma ou de outra, pôr cá para fora as coisas só é bom: faz-nos tratar-las por tu e comprometermo-nos com elas e isso é fundamental quando falamos da gratidão. Devemos estar comprometidos em ser gratos. Todos temos razões pelas quais o devemos ser. A questão que se coloca aqui é fundamental, no limite, não só para a tomada de consciência como também para o caminho da felicidade: nem toda a gente faz uma pausa nas suas vidas agitadas para parar e pensar "bem, deixa-me identificar aqui 10 coisas com as quais estou grato". Por vezes penso que se tivesse, um dia, a maluqueira de sair para a rua, em género de cold call, e perguntasse "Diga-me 10 coisas pelas quais está grato?" que nem metade me dava as 10... Não é preciso ser-se um iluminado para alguém se conhecer de uma forma mais profunda mas deve ter-se o interesse e, novamente, o tempo para tomar atenção a nós próprios. Sim, seja egoísta, nesta questão, pode colocar-se à frente dos outros! Eles agradecer-lhe-ão no futuro! Acredito que só assim abrimos a porta do autoconhecimento.

 

Eu vou tentado, assim que consigo, tirar esse tempo para mim. Prefiro conhecer mais sobre mim do que as outras pessoas, logo, vejo nesse o caminho a seguir. Vamos fazer um exercício? Eu dou o mote! Vamos todos fazer uma lista de 10 coisas pelas quais estamos gratos e partilhar com uma das pessoas com quem mais nos identificamos. Boa? 

 

Posso partilhar convosco algumas das coisas pelas quais estou grato e, assim, motivar-vos a escrever uma lista para vós. Partilho alguns dos meus pontos:

  • Familia que me apoia incondicionalmente;
  • Ter tido a possibilidade de mudar de vida e assim passar para um estado de realização pessoal, que na altura pensei que não iria ser possivel;
  • Há coisa de um ano, ter conhecido uma empresa com uma cultura e pessoas diferentes do comum, no meio onde se inserem, ter pensado "é aqui que gostava de trabalhar" e atualmente ter data marcada para iniciar, nessa empresa, estágio curricular e a minha carreira;
  • Ter-me sido atribuida uma docente por quem tenho uma estima e admiração enorme, como orientadora de estágio, que estou certo que me fará crescer imenso como profissional e com quem sei que irei aprender imenso, durante aquele período;
  • Ter pessoas que me acompanharam na minha Licenciatura nos momentos bons e menos bons a quem posso chamar amigos;
  • Trabalhar com coaches inacreditavelmente talentosos e competentes e que me dão a oportunidade de crescemos juntos;
  • Conhecer pessoas que nos tocam a alma de uma forma inacreditavelmente poderosa;
  • Poder aprender imenso com cada cliente com quem trabalho;
  • Ter um sobrinho lindo e perfeitinho;
  • ...

E a lista continua para as 15! Já não é mau para começar, de forma pública!

 

Faça a sua lista e verá o quão grato está pela sua vida! E não se esqueça: celebre tudo! O bom e o mau; o sucesso e o insucesso! Tudo isso define-o: sem isso não seria a pessoa que é hoje. Não conheceria a mesma realidade. Sem isso, imagine, viveria num mundo paralelo. Já pensou nisso? Se fosse possivel visualizarmos esses outros mundos talvez ficassemos surpreendidos. Eu falo por mim: pensando em alguns momentos estruturantes da minha personalidade, sem eles seria alguém bem diferente! 

 

Até ao próximo texto!

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