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Diogo Limão

Recursos Humanos

Espaço RH: As 3 principais posições nos grupos

Espaço RH - As 3 principais posições nos grupos.png

 

Hoje quero partilhar consigo as três principais posições que as pessoas tomam nos trabalhos em equipa, nas dinâmicas de grupo e, de forma abstrata, nas situações onde as competências de liderança e comunicação -- principalmente -- são solicitadas. Atente que cada uma dessas posições vem inspirada na minha experiência individual e pelos comentários que me vêm chegando de colegas. A verdade é que tenho encontrado, nas atividades de grupo, e de forma recorrente, as seguintes formas de estar. Tomei a liberdade de dar nomes a cada uma delas para integrar aqueles leitores que possam estar menos familiarizados com esta realidade. 

Cada uma dessas posições têm, naturalmente, pontos positivos e negativos na sua forma de estar perante os outros. A chave, aqui, é encontrar o equilíbrio entre os pontos menos positivos e os positivos, de forma a minimizar os primeiros e potenciar os segundos. Nesse seguimento, deixo-lhe alguns TPCs (técnicas para crescer), caso queira trabalhar a sua posição.

 

 As 3 principais posições na interação grupal

 

  • O Gigante

O Gigante é aquela pessoa que pretende sobressair relativamente aos demais. Tem de ter sempre uma palavra mais forte do que os colegas. É dono da razão e do conhecimento profundo do tema. Concorda com as opiniões dos demais "mas...". Ingenuamente quer mostrar-se como alguém que domina na perfeição as competências que estão a ser avaliadas/são solicitadas para determinada tarefa. O Gigante tem de ser maior. Em grande parte dos casos, esta postura vira-se contra o próprio, porque evidencia baixa flexibilidade no relacionamento com os outros e não fomenta situações de win-win.

 

TPC

Os pontos fracos no Gigante estão muito relacionados com uma forte resistência ao que lhe é diferente, sem ter essa consciência. Assim, poderá começar por aí, procurando pedir a sinceridade das pessoas mais imparciais que conheça, para que estas lhe enumerem situações onde esta pessoa tenha sido pouco flexível no passado. Se realmente o feedback que recebe for de alguém que é visto como intransigente, o Gigante deverá refletir em como poderia ter agido de diferente em cada uma das situações, com o maior detalhe possível (alguém que se conhece bem é alguém preparado para a mudança!). Caso a questão que o Gigante enfrenta for relacionada com a sua visão panorâmica das situações ou dificuldade em encontrar e conciliar pontos de vista diferentes do seu, poderá procurar desenvolver essa capacidade autonomamente. Para esse fim, pode, por exemplo, fazer um exercício onde irá procurar utilidades diferentes para diferentes objetos, as quais nunca teria pensado. Poderá, de igual modo, tentar explorar, na sua esfera de interações pessoais, os pontos de vista que se afiguram diferentes dos seus, de forma a perceber (como se fosse a outra pessoa) o porquê daquela forma de ver a realidade. Aqui, neste aspeto, deverá saber gerir a diferença relativamente aos seus pontos de vista.

Não é tudo mau no Gigante: acredito que se comporta daquela forma por a sua auto-confiança estar muito elevada, o que poderá resultar numa perceção exagerada dos seus pontos positivos e de um fraco conhecimento dos menos positivos. O Gigante ganhará poder pessoal e irá potenciar a sua imagem se se conhecer melhor. Como já percorreu o "caminho para o sucesso" ao descobrir os pontos fortes, deverá seguir o mesmo para os fracos. A ideia será ser o mais honesto e verdadeiro consigo próprio.

 

  • Caixa de Surpresas

A pessoa que se comporta como uma Caixa de Surpresas costuma comportar-se de uma forma muito low profile: raramente intervem e tenta constantemente furar a interação para conseguir intervir. Isto se estiver num contexto de dinâmica de grupo. Esta pessoa, nas equipas, pode até dominar o tema de forma profunda, contudo, nas primeiras intervenções tem de ser estimulada, para ganhar confiança. De calada, a Caixa de Supresas, faz a intervenção que, por vezes, muda o paradigma atual. Num ambiente de avaliação, poderá ficar prejudicada por não estar tão à-vontade.

 

TPC:

Se o Caixa de Supresas for alguém que acredite que não se sente confortável numa interação mais desafiante como, por exemplo, uma entrevista de emprego, deverá perceber qual a razão que estará por detrás desse desconforto. Se for relativo à sua zona de conforto não conter este tipo de interações grupais, deverá explorar a sua zona de desconforto, na medida em que se coloca dentro do espaço incerto. Por isso, uma ideia será participar em iniciativas que o colocam à prova ao nível da comunicação para várias pessoas e onde as mesmas competências sejam aplicadas. Quando nos colocamos constantemente numa posição de desconforto, mais cedo ou mais tarde, todos os medos (que nos são inconscientes) relacionados com essa posição, irão tornar-se cada vez menos significativos porque vamos habituando o nosso cérebro a que aqueles determinados eventos não são ameaças para a nossa sobrevivência. A forma de estar do Caixa de Surpresas é positiva (significando que poderá tirar um excelente partido dela) na medida em que poderá ser uma pessoa que procurar ouvir mais e refletir primeiro antes de intervir. Na minha opinião, poderá potenciar este aspeto se aliar, à sua intervenção, uma postura de liderança -- que deverá ser previamente trabalhada. Isto porque a questão poderá não estar na mensagem mas sim na forma como ela é transmitida a quem houve. Quem o ouve deve receber a sua mensagem com curiosidade e entusiasmo, não de uma posição de apatia relativamente ao que estão a escutar.

 

  • Doseador

O doseador é a figura do equilíbrio numa equipa: a sua capacidade de liderança e comunicação (competências geralmente mais desenvolvidas ou, pelo menos, mais evidentes) são canalizadas para as diferentes pessoas da interação, doseando a sua atenção por todos. É aquela pessoa que estimula a Caixa de Surpresas e procura perspetivas no Gigante. Dá a sua opinão, deixando a porta aberta para que os outros acrescentem os seus pontos de vista. A harmonia é encontrada mais facilmente se este elemento estiver presente. Pode ficar numa posição mais desconfortável, se a sua intervenção for abafada pela vontade de colocar todos a participar, colocando-se em segundo plano.

 

TPC:

 Acredito que esta posição nos grupo é a mais fácil de "dar a volta". Tenho percebido que as pessoas "doseadoras" têm algum autoconhecimento relativamente a quem são e quais são as suas opiniões e crenças, o que lhes permite dar mais espaço a outros, em certos momentos, pois isso não vai efetar o seu autoconceito nem a perceção de terceiros a seu respeito. Para se potenciar, deverá continuar esse caminho e, provavelmente, desenvolver outras competências fundamentais na liderança como a comunicação e a escuta ativa. 

Se a comunicação é fundamental para passar a mensagem para o outro, a escuta ativa tem um papel fundamental para filtrar a informação que recebe e, não menos importante, encontrar -- sem esforço -- os locais ideias para intervir. Dessa forma iria evitar ficar numa posição mais inferior que, naturalmente, não iria transparecer aquilo que realmente tem para dar às organizações.

 

 

Acredito que a fronteira entre a posição que se tomaaquela que se quer tomar reside no autoconhecimento de cada um, quando responde a questões como "como costumo comportar-me?", "de 0 a 10, qual é o meu nível de interação? E a minha resistência às opiniões dos outros?", "Costumo sair prejudicado ou beneficiado? E porquê?". Depois, a pessoa deve analizar quais são as competências que poderão estar envolvidas naqueles ambientes organizacionais, para depois aferir como poderá alterar a sua postura e ter um resultado mais favorável para si (e para a equipa).