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Diogo Limão

Recursos Humanos

Experiências passadas: uma mentalidade de mobilização de competências

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Terminei, recentemente, a minha formação em Gestão de Recursos Humanos, a qual me deu um quadro teórico de referência para saber falar e pensar na linguagem dos Recursos Humanos. É ele que me aproxima dos colegas da área, sejam eles estudantes desta área disciplinar, ou trabalhadores ativos no mercado do setor dos Recursos Humanos. Simplificando esta ideia, esta formação permite-me integrar-me num grupo de interesses e conhecimentos comuns porque "falamos a mesma língua". Ainda assim, sou mais do que Recursos Humanos, assim como você é mais do que faz agora, no imediato, e é sobre esta ideia que lhe faço.

Para além dessa ideia, o texto fala-lhe de competências e da importância de as mobilizar para outros ambientes e funções. Este texto fala, também, daqueles conhecimentos que adquiri numa outra experiência profissional, distante daquela que hoje faz ou procura, mas que poderá, até, encontrar na imagem que visualiza para o seu futuro profissional. 

 

Deixe-me dar-lhe uma não-tão-novidade: há muita coisa que não sabe sobre mim! Acredito que o que escrevo neste blogue mostra bem quem sou, como me posiciono na vida e na minha profissão. Ainda assim e sendo que criei este blogue enquanto Coach e aluno de Gestão de Recursos Humanos, houve muita coisa anterior a isso que, naturalmente, não tive oportunidade de partilhar consigo. Vou tentar preencher um pouco desse vazio e tornar útil este texto com uma boa mensagem para si (assim o espero).

 

Antes da minha passagem pela AIESEC (uma organização não-governamental, totalmente gerida por estudantes, e que dinamiza estágios e voluntariado internacionais), eu gostava muito de Contabilidade, uma das áreas-chave da formação profissional de Técnico de Gestão, que também acumulo no meu currículo.

 

Entrei pela primeira vez na faculdade recém-chegado de um estágio como Técnico de Contabilidade, que adorei e que me fez crescer muito.

 

Nunca esquecemos o nosso primeiro contacto com o mundo profissional e empresarial, acredito. Lembro-me bem, como se fosse ontem, das tarefas que fui fazendo, enquanto me ia encontrando e respondendo à pergunta "quem sou eu como profissional?". Num dia normal, naquele gabinete de contabilidade, as responsabilidades passavam pela classificação e lançamento de documentos com relevância contabilística no software de contabilidade da empresa e algum atendimento ao público. É verdade que este trabalho poderá parecer -- e ser -- relativamente monótono, contudo, não é por isso que não aprendemos e desenvolvemos competências. Uma das maiores lições que levo para a vida veio desse estágio, transmitida por uma colega naquela organização: temos de tratar os documentos com carinho porque são eles que nos põem o comer na mesa. Fez-me tanto sentido!

 

Temos de tratar os documentos com carinho porque são eles que nos põem o comer na mesa.

 

Também fazia parte das tarefas diárias organizar os dossiers dos clientes, segundo a data e natureza dos mesmos, e isso implicava, obviamente, fazer arquivo. Ninguém vai entregar um dossier feio ao cliente, passando uma má imagem da empresapois não? Não tem jeito que se entregue ao cliente, no final do trimestre, um dossier com faturas mal furadas e furadas de forma descuidada, com faturas amarrotadas por falta de cuidado, e por aí fora. Aprendi a importância do brio profissional e a relação de causalidade entre o cuidado com que fazemos algo e os resultados da organização. E quanto ao atendimento ao cliente? Sei que não foi, de todo, uma mudança estrutural que afeta essa competência ao ponto da perfeição, ainda assim, aprendi muito: aprendi que devemos conseguir identificar qual o melhor registo, expressões e forma de comunicar para cada tipo de cliente e agir em conformidade. Aqui foi muito claro: num meio pequeno, no qual o nível de escolaridade e o conhecimento das matérias fiscais e contabilisticas é em grande parte baixo, ganha-se muito mais a simplificar a mensagem do que a entregar da forma mais "completa".

 

A experiência foi tão rica que, hoje em dia, na necessidade de abraçar um desafio que inclua tarefas ligadas com a Contabilidade, área que ainda gosto, quer seja como um puro Técnico de Contabilidade ou um Técnico de Recursos Humanos que dá uma mãozinha naquela área, sei que irei mobilizar o que aprendi e desenvolvi porque a verdade é que esse é o conceito de tranferência de competências: a possibilidade de transferir, para uma outra função ou ambiente, um conjunto de saberes e conhecimentos para que seja possível realizar uma função com um nível de desempenho satisfatório.

 

Acredito que, por mais que nos custe sair do mindset de linearidade de uma profissão, devemos ser abertos a olhar noutras direções. Serão as aprendizagens para o futuro menos válidas, se tomarmos um outro caminho, um pouco diferente do linear? Não creio. No final será sempre um melhor profissional, mais preparado para adversidades e ambientes desconhecidos, do que senão se permitir arriscar a tirar o pé dessa linha que é a carreira.

 

E você? Já teve de mobilizar os conhecimentos e competências de uma função para outra? Quais foram as suas aprendizagens, quer partilhar? Deixe nos comentários!