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Diogo Limão

Recursos Humanos

"Mais vale uma má decisão..."

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A palavra ação anda nas bocas do mundo e não é para menos: a ação separa o sonhador do fazedor e os resultados sonhados dos resultados alcançados. Venha refletir, comigo, nesta verdade: "Mais vale uma má decisão do que decisão nenhuma" e talvez entre já hoje em ação.

 

Já Sir John Whitmore escrevia algo que distingue a performance dos indivíduos, distinguindo aqueles que têm resultados nas suas vidas pessoais e profissionais daqueles que não os têm. Whitmore escrevia que o que separa o wishful thinking dos resultados é, precisamente, a ação. De forma concordante, Bob Thomson dizia que -- nunca mais me irei esquecer isto -- que todo o desejo sem ação é queixume! Tenho de concordar com ambos os autores, ambos coaches, nestas sábias palavras. Quantas vezes disse coisas do género "tenho de emagrecer" e no final das contas não fez nada por isso: não foi correr, não foi ao ginásio -- a inscrição só não conta--, nem tão pouco alterou a sua dieta (se se reviu nisto, estamos juntos!). Mas eu, não tendo a capacidade de adivinhação -- sou apenas alguém apaixonado pelos Recursos Humanos e pelo Coaching -- acredito que todos os recursos que precisa para "fazer coisas" e ter resultados diferentes estão em si! Não toca, na sua cabeça, nenhuma campaínha, à medida que lê estas últimas palavras? Vou tocar de novo: se quando tem fome, pensa "vou comer uma sandes de fiambre" (wishful thinking) e depois tem, por fim, a sandes nas suas mãos, pronto a dar a primeira dentada, algo aconteceu pelo meio. É a ação que torna os resultados possíveis, neste último caso, bastou entrar na cozinha, e fazer o seu habitual procedimento de construção de uma sandes. 
Acredite, a expressão "construção de uma sandes" foi intencional. No final do dia, é isso que faz com os seus objetivos e com aquilo que mais aspira: também constrói os seus objetivos, passinho a passinho,  começando a ganhar confiança em direção a eles, construindo as "fundações" necessárias para tal e, depois, começa a atingir metas intermédias até chegar àquele que é "O" objetivo.

 

Decisão. É a palavra que nos traz aquela maravilhosa frase. O que é a decisão? Acredito que é ela que dá impulso à ação. Ao longo dos nossos dias somos, constantemente, levados a tomar decisões de curto-prazo, muitas vezes, até imediatas. "Quero uma sandes de fiambre ou de queijo?", houve aqui uma decisão implícita. Mais ou menos consciente, foi tomada uma decisão que levou à ação, que falámos ainda há pouco. Vou deixar o desenvolvimento de como devemos estar presentes em nós para estarmos conscientes das nossas decisões, para assim aumentarmos a consciência sobre as nossas atuações, para outro texto. Neste, quero mesmo -- MESMO -- falar-lhe de como devemos ter as más decisões e como elas, no meu ponto de vista são melhores do que -- como disse uma vez um dos meus irmãos -- a "não decisão".

O que é uma má decisão? Boa pergunta... Tinha sido interessante terminar aqui o texto e fazer, consigo, se o quisesse, o jogo de o terminar e assim deixá-lo a refletir, segundo o seu sistema de crenças e valores. Mas, como quero mesmo -- MESMO -- falar-lhe disso, vou, também eu, tomar a liberdade de escrever algumas palavras. Acredito que uma decisão, para ser , não precisa de ser pouco pensada. Até pode ser muito pensada e, no final das contas (e para o resultado que esperávamos) não ter sido a melhor. Aliás, permita-me a correção, não falêmos em "melhor", falêmos numa decisão que fez mais sentido, segundo o objetivo traçado e a realidade atual, para atingir determinada meta. Esta forma mais positiva e menos culpabilizadora de quem a pratica cria, nessa pessoa, uma emoção menos negativa e traz poder de atuação, acredito. Assim, na sua próxima má decisão já sabe: linguagem positiva! 

Como seres em constante crescimento e desenvolvimento (não importa se pessoal ou profissionalmente) somos, utilizando uma metáfora, como potes, daqueles -- veio-me à cabeça -- de barro, grandes, e que se tentássemos abraçá-los completamente teríamos muita dificuldade. Está a pintar a imagem na sua mente? Somos isso, só que não temos fundo. Esta é a boa notícia! Não temos fundo! Não temos limite de crescimento, e porquê? Porque todos os dias, quer tenhamos 10 ou 100 anos, estamos sempre a aprender! Este pote representa as nossas aprendizagens ao longo da vida e, no limite, a nossa vida. O nosso pote enche-se de muitas formas (todas as aprendizagens, pessoas, experiências que alguma vez tivémos, conversas que nos marcaram...) mas importa referir que lá dentro, entre tudo o que temos no pote, estão as nossas más decisões. As más decisões são como portas de entrada para o nosso crescimento: ensinam-nos os caminhos que não devemos voltar a percorrer, as coisas que não devemos repetir ou as palavras que não devemos dizer. Estas constroem e enriquecem as nossas aprendizagens. Sem elas estariamos estagnados? Fica a pergunta.

 

decisão nenhuma será a passividade, não será? Qual terá sido a razão por detrás dessa nenhuma decisão? Terá sido medo? Quem sabe... A verdade é que, dela, não sairá nada -- de produtivo, pelo menos -- a não ser arrependimento, no pior dos casos. O que é que é mais vantajoso para si? Será 1% de um pouco resultado ou 100% de nada acrescentado?

 

Resta-me desejar-lhe uma semana rica de experiências tranformadoras e felicidade. Esteja grato por tudo e, muito importante, por essas decisões menos positivas, e deixar-lhe uma pergunta: o que leva deste texto para uma próxima oportunidade de entrar em ação?