Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Diogo Limão

Recursos Humanos

O impacto de conhecer o processo

Untitled (2).png

 

É oficial a minha saída da organização que me acolheu nos últimos meses. A entrevista de saída foi realizada, no Departamento de Recursos Humanos da empresa, e essa oficialização, bem como uma distanciação que agora se torna real, levam-me a refletir sobre outros temas sobre o Desenvolvimento de Pessoas.

 

Nunca fui um profissional que ficasse apenas pela tarefa. Sempre soube perfeitamente que o meu papel seria mais do que isso. Sempre gostei -- e procurei -- entender o que estava a fazer, o porquê de fazê-lo, e qual a minha contribuição para a empresa para a qual trabalho, mesmo que o mesmo não fosse verbalizado e apenas acontecesse num plano cognitivo. Quer isto dizer que sempre me foquei no processo. Isto já vem de trás, acredito. Desde os dias em que me sentava na primeira fila de cadeiras, naqueles anfiteatros da Escola Superior de Ciências Empresariais, que a minha sede de conhecimento me levava a questionar as áreas cinzentas das matérias que aprendia. Principalmente, gostava de explorar qual o papel de determinada matéria no âmbito dos RH, em sentido lato.

 

Essa procura continua, ainda hoje. E, essa distanciação, cria-me uma oportunidade mental para desenvolver um pensamento que me surgiu, no momento de realização da entrevista que comecei por mencionar neste texto. "Qual é o impacto desta entrevista neste departamento?". A frase que ficou gravada na memória foi, simplesmente, "Conhecer o processo é tão importante quanto conhecer a tarefa". Acredito que isso nos abre portas ao nosso próprio desenvolvimento profissional.

 

Acredito que a procura por respostas, relativamente ao que se sobrepõe à tarefa, é uma das características que poderão descrever um profissional que estará em condições de, um dia, assumir uma posição de gestão num dado departamento. Isto porque, aos poucos, prepara-se para conseguir conversar sobre políticas, impacto e outras questões relacionadas com o planeamento. Tentei levar isto à minha formanda, no momento da formação on-the-job, por exemplo.

Nessa formação, para além da apresentação e explicação das tarefas administrativas inerentes à Gestão da Formação, procurei, primeiro, descrever o processo pelo qual uma formação deverá passar para ser bem sucedida, bem como os momentos de avaliação da mesma que deverão existir para que a melhoria contínua seja atingida. Falou-se desde a fase do planeamento até à avaliação, que em primeiro nível avalia-se a reação dos formandos à mesma e depois, meses depois, avaliar-se-ia o impacto da mesma nos formandos. A formanda em questão teria de trabalhar em todo o processo formativo, naquele departamento? Não, necessariamente. Contudo, entenderia o porquê das suas tarefas existirem.

 

E, vejamos uma coisa: o bom de qualquer conhecimento adquirido é que é mobilizável, quando necessário. Um esforço para entender um determinado processo, para além de, apenas, as tarefas que o compõem não será, a meu ver, tempo perdido. O conhecimento estará lá, guardado, para ser utilizado quando de facto for necessário. 

Ainda me recordo da minhas primeiras aulas de Introdução à Gestão, no Instituto Superior de Economia e Gestão. Essas aulas que me falavam sobre o processo de gestão e pelas quais um gestor deveria refletir para fazer uma gestão eficiente e eficaz de recursos. O processo é o seguinte: planeamento, organização, execução e controlo. Acredito que a visão de gestão não é exclusiva do gestor, mas de todos os trabalhadores que procuram fazer a diferença para a empresa para a qual trabalham. O impacto total de uma empresa é a soma dos impactos individuais de cada departamento. Todos, sem exceção, contribuem de uma maneira ou de outra, para o resultado da organização. E, isso, não acontece se nos fecharmos na bolha das nossas tarefas, vinculadas à fase da execução, do processo de gestão.

 

Lembrei-me de escrever este texto pela universalidade desta ideia em vários níveis de antiguidade profissional. É válido para o estagiário que trabalha há quatro meses na empresa como para a chefia intermédia que, aos poucos, se vai preparando para assumir um cargo de maior responsabilidade na hierarquia da mesma. Se este esforço pelo conhecimento do processo, e não só pela tarefa, for feito, que o seja em primeiro lugar por nós próprios, já que seremos nós a colher os frutos no futuro. Ainda na organização atual ou noutra que aposte em nós, no futuro.