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Diogo Limão

Coaching & Recursos Humanos

Opinião: "Para quê um coach se tenho amigos?"

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Esta afirmação, que serve de título a este texto, é proferida algumas vezes no seio dos potenciais clientes desta ferramenta de desenvolvimento pessoal/profissional. Procuro tentar criar alguma consciência relativamente a alguns aspetos importantes que poderão, ainda, ser desconhecidos àqueles que, inocentemente, poderão não ter ido ao encontro da informação mais relevante para se esclarecer. Se for do seu interesse, não deixe de abrir esta publicação e ler o que lhe escrevo.

 

Antes de desenvolver o que quer que seja nestas linhas, vejo extrema importância em compreender dois conceitos completamente distintos mas igualmente relevantes para alguém, quando colocados nos sítios certos. De um lado da análise temos os amigos e do outro temos a figura do coach.

 

Os amigos são figuras fundamentais nas nossas vidas, de tal forma que algumas Rodas da Vida (uma técnica para explorar o seu nível de satisfação atual com algumas variáveis relevantes para a Vida de alguém) dedicam uma fatia onde os amigos têm um papel extremamente importante. Com eles partilhamos os nossos altosbaixos, sem reservas (se for um amigo com "A" grande), e existem nas nossas vidas para, por exemplo, nos incentivarem a sermos melhores e a não desistir. Contudo, um amigo poderá cair no erro de utilizar a simpatia consigo e, num dilema seu, poderá dar-lhe a sua opinão tendenciosa de como deverá agir ou reagir em determinado contexto -- isto, claro, se faltar o "colocar-se nos sapatos da outra pessoa" e se o amigo não tiver o cuidado de ser imparcial (característica que encontramos nos grandes amigos). No fundo, um amigo poderá cair nesta metáfora, caso o seu nível de desenvolvimento pessoal e maturidade emocional seja menos forte: ele estaria a catapultar uma peça do seu próprio puzzle mental (mapa-mundo; mapa mental) para dentro do seu puzzle, que invariavelmente não seria igual. A peça poderá encaixar mas não é perfeita e não lhe preenche o espaço que pretende. Um amigo é uma figura informal com quem, provavelmente, a conversa que é estabelecida não é direcionada para um resultado.

 

Um coach é um profissional formado para manter consigo uma conversa imparcial, direcionada para um resultado pré-estabelecido, para ação e para o desenvolvimento pessoal/profissional do cliente e que deverá, ainda a título de exemplo, seguir um Código de Ética. O coach foi treinado, avaliado e certificado para aplicar as ferramentas de coaching (que segundo a ICF é definido como uma parceria com clientes num processo estimulante e criativo que os inspira a maximizar o seu potencial pessoal e profissional) e, acima de tudo -- acredito eu --, viver em cada uma das sessões os pressupostos do coaching. A ICF estipula 11 Competências Centrais que os coaches devem viver na sua prática de coaching e que, com efeito, deverá consultar se tiver interesse em saber mais sobre a ferramenta. Ao ser profissional, o coach não está  para ser seu amigo (como o descrevi em cima), está lá para, através de perguntas poderosas, escuta ativa e outras técnicas ao seu dispor e que melhor se adequem à forma de trabalhar do cliente, entregar-lhe um resultado acordado no início da relação de coaching. Há que ter em atenção que o coach não sugere, não opina e não aconselha. Ou seja, deverá iluminar o cliente naquele que for o seu dilema, pelas perguntas que coloca, de forma a permitir que este mude paradigmas e encontre as soluções para as suas questões, alicerçadas pela sua vontade própria de fazer-acontecer.

 

Como acredito ter ficado claro, estamos perante duas figuras bem diferentes, na sua génese. "Para quê um coach se tenho amigos?"... Respondendo diretamente à questão, o coach ajuda-o a ter novas perspetivas e a permite-lhe o sentimento único de poder pessoal, de deter as rédeas da sua vida e, acredito, que o irá ajudar a ter uma maior satisfação com a sua vida e/ou trabalho!

 

Referenciado neste texto: http://icfportugal.com/

Agradecimento: Célia Francisco, Psicóloga, por quem tenho uma enorme estima.