Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Diogo Limão

Coaching & Recursos Humanos

Perfecionismo? Parte-o em dois!

perfecionismo em dois (3).jpg

 

Este texto fala sobre perfecionismo, uma "qualidade coxa" para muitos, porque diversas vezes não é caracterizada como uma de pleno direito. De certeza que sabes do que falo, tão bem como eu.

 

Se estivesse convosco à minha frente iria, de certeza, questionar o porquê de, muitas vezes, o perfecionismo ser bommenos bom ao mesmo tempo. E, com a mesma certeza, iria ser respondido frases parecidas com "é bom porque quero tudo bem feito"; "é bom porque tenho atenção ao detalhe"; "é menos bom porque perco tempo com coisas que podem ser desnecessárias"; "não é bom nem mau" porque etc.. Qual é a afirmação mais verdadeira? Se respondeste nenhuma, estarás correto, dependendo da justificação que deste. Ainda assim, uma coisa é certa: é daquelas perguntas que merecem mesmo que a resposta esteja na ponta da língua, numa situação mais particular.

 

Não sei quanto a ti, mas a meu respeito tenho a dizer-te que gosto daquelas conversas clarificadoras, sabes? Aquelas em que expões oralmente algo em que acreditas, só na tua cabeça -- ainda -- e depois, quando saem para os ouvidos de quem te ouve, percebes o porquê de achares que faz sentido! Eu tive uma dessas sobre este tema há uns meses atrás durante um workshop em que participei, onde discutimos respostas como as que te enunciei. Sendo o tema do autoconhecimento algo que me fascina, teria de ter uma opinião formada sobre o perfecionismo! Este texto serve para a partilhar contigo!

 

Ser perfecionista -- aquele que não é o considerado clinicamente como distúrbio e que necessita de atenção profissional adequeada -- é ter a vontade de terminar algo com uma qualidade que supere os nossos padrões pessoais e dos outros com quem nos relacionamos, de forma a manter o nível de qualidade exigido por nós e pelos outros.

 

Na minha opinião há dois tipos de perfecionismo: aquele "natural" onde nós queremos ter um resultado muito positivo naquilo que fazemos, abrangendo, por isso, várias áreas da nossa vida. Acho-o saudável quando não é em excesso. Devemos ter a vontade de ser cuidadosos naquilo que fazemos, não é? No fundo, é este o evocado em entrevistas de emprego, por exemplo. Neste texto, focar-me-ei mais neste.

Por outro lado, acho que existe outro tipo: chamemos-lhe de "perfecionismo de processo". Este tipo, descrevo-o como a preocupação exaustiva de tudo o que é detalhe de um processo ou tarefa, que pode ser prejudicial para o resultado deste/a, se comprometer a sua realização.

 

Isso implica, naturalmente, comportamentos -- geralmente viciados, senão não seria problema -- que são congruentes com a nossa vontade. Falamos, por exemplo, do exagero da atenção a pormenores que não sejam diretamente decisivos para o resultado final; dispensa de tempo em determinadas tarefas menos importantes, para além do necessário; e por aí fora...

 

Quem já teve a necessidade de ter de gerir o seu tempo de forma eficaz e dividí-lo por várias atividades diárias sabe que perder tempo com coisas que não são nem urgentes nem prioritárias é uma armadilha muito grande. É qualquer coisa como ter um minuto de uma excelente satisfação pessoal e uma queda a pique desse sentimento porque simplesmente devias ter focado a tua atenção noutra coisa.

 

Quando há esta necessidade, na minha opinião, devemos ter em atenção -- e gerir --  três aspetos:

  • Relação entre tempo disponível/necessário para a realização da tarefa;
  • Relação entre exigência da tarefa/qualidade do output;
  • Conteúdo da tarefa propriamente dita.

 

Trocado por miúdos, o que quero dizer com isso é que tu partes de uma tarefa que te é atribuída. Se já a conheces, por já a ter realizado antes, já te é mais fácil porque conheces qual o conteúdo dela -- aquilo que tens de fazer para a terminar -- ou se não conheces, tens aqui um passo adicional, que será, primeiro, inteirares-te dela. Quando ela te é atribuída, é-te dado uma deadline para cumprir, que tu terás de gerir, a par do teu tempo disponível para a realizar, porque não terás apenas essa para terminar. Para cada tarefa que realizes existe sempre uma exigência associada (ditada pelo grau de novidade envolvido; do teu conhecimento adquirido, que te permite realizá-la; E do grau de exigência que te foi solicitado) e um output a que tens de chegar, no fundo, é o resultado. A questão que poderias colocar agora seria esta: "então, onde entra aqui, nesta confusão toda, o perfecionismo? Há tempo para isso?!"

 

Pois é, recorda-te do tipo de perfecionismo que estou a dar atenção neste texto. É o primeiro, o natural. Ele, por o ser, estará sempre transmitido naturalmente para a tua tarefa, que a tornará "muito boa", o que quer que isso signifique para ti. Agora, se tu quiseres que o resultado dessa tarefas não seja  muito bom mas EXCELENTE, aí, entramos no que o título do texto te sugere:

 

Se queres um resultado realmente excelente, para além do teu padrão normal, parte o perfecionismo em dois!

 

A dica que te dou, porque eu próprio a comecei a usar (caso contrário não a daria) é pensares no perfecionismo como dois processos diferentes onde:

  • Primeiro: Tarefa em si e tudo o que ela envolve para a tua qualidade padrão;
  • Segundo: Boost final da tua tarefa. Aquele "só mais um bocadinho" que mude tudo e aumente imenso a qualidade percebida da tua tarefa. Falamos dos pormenores; da finalização; do "toque final" que faz a diferença. Terás, claro, de assegurar que no teu planeamento deixas tempo para que esta segunda parte exista.

 

Eu acho importante esta divisão porque poderá evitar stress de última hora e pensamentos negativos relativamente à análise do teu próprio desempenho.

 

Deixo-te, ainda, uma nota relativamente a isto tudo: o que te escrevi aqui não é uma "receita" mas sim uma abordagem diferente da questão. Foi uma mudança de paradigma que fiz há uns tempos e que tive todo o gosto em partilhar contigo!