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Diogo Limão

Recursos Humanos

Voltar à Estaca 0.1

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Hoje escrevo-lhe sobre procura de emprego mas, na realidade, poderia estar a escrever-lhe sobre qualquer experiência ou adversidade que enfrente na sua vida. Vamos ver que é possível interligar estas duas realidades para entregar uma só mensagem, neste texto. Nestes próximos paragrafos poderá ler sobre como aquilo que vive muda a sua realidade e como essa mudança (e tantas outras, juntas) o direcionam para o caminho da sabedoria. 

 

Procurar emprego é como fazer trabalhar um comboio alimentado por esperança e guiada pelo profissional que é, fruto da sua experiência pessoal e profissional, valores, crenças, expetativas futuras... Esperança é uma palavra que precisa de ser contextualizada aqui: quando procuramos emprego estamos sempre esperançosos de uma ou várias coisas, entre elas poderão estar, uma carreira mais interessante, melhor retribuição, melhores oportunidades de crescimento, maior reconhecimento, melhor ambiente no local de trabalho, sentir que se "pertence" no seio da organização... E, da mesma forma que o comboio desenvolve a sua viagem desde a estação de onde parte, até chegar à estação terminal (o que quer que seja que ela represente na sua realidade), vai tendo várias velocidades e paragens. Também nos nossos percursos profissionais assistimos a fenómenos idênticos. Quem nunca sentiu que aquilo que estava (ou está, atualmente) a fazer está a levar a algum lado, a criar uma diferença? Há momentos que sentimos que a nossa realidade (que não é mais que um conjunto de perceções sobre a forma que vemos o mundo, sobre aquilo que nos acontece) está realmente a acelarar e que estamos no caminho certo. Eis que o comboio pára! "E agora?!", fica no ar a pergunta, já que naquele momento parece não haver as respostas necessárias. 

 

Somos seres em constante aprendizagem e ainda mais se partirmos de uma mentalidade de que "não há fracasso/insucesso; há feedback".

 

Caso o leitor esteja habituado à terminologia do sucesso/insucesso, acredito que lhe seja fácil e rápido assumir que é mais trabalhoso analisarmos as nossas aprendizagens quando estamos perante de um sucesso que não foi detalhadamente planeado e monitorizado (como acontece num processo de Coaching, por exemplo). É fácil encobrir as aprendizagens com a euforia de conseguir algo e podemos dar por nós a pensar que os fins justificam os meios, por si só, ou seja, o resultado vem porque se teve de fazer algum tipo de aprendizagem. Contudo, se pensarmos nos insucessos, talvez a história seja um pouco diferente. Neste cenário, é fácil adotarmos, inconscientemente, um foco no problema e no facto de nada ter corrido como queríamos, levando-nos a olhar para o resultado menos positivo, esquecendo que haverá sempre algo que fica para o futuro, como aprendizagem. Mesmo que, no imediato, seja difícil vê-lo.

 

Imagine que estamos a focar a nossa atenção na procura de emprego e no caso de ter ido a uma entrevista -- essas portas para as oportunidades do mercado de trabalho -- e esta não ter corrido como esperava. A pessoa que entrou naquela sala é (ou deve ser) diferente daquela que saiu. Se no momento inicial estava na "Estaca 0", quando sai já não estará, potencialmente, aí. Estará naquela que chamo de "Estaca 0.1". Isto significa que sai da sala com mais informação do que aquela com que entrou. Essa informação é valiosa para trabalhar em si e nos seus pontos de melhoria, mesmo que a sua circunstância seja a mesma. O meu conceito da "Estaca 0.1" traduz a ideia de sermos seres em constante desenvolvimento e crescimento quando somos capazes de refletir e retirar do que nos acontece uma, ou várias, aprendizagens. Não conseguimos voltar a ser/saber o que fomos/soubemos, um dia, quando evoluimos para algo melhor.

 

Da próxima vez que estiver de frente a uma adversidade, pense nesta ideia da Estaca 0.1. Este texto fez-lhe sentido? Retirou alguma coisa importante para o seu futuro? Faça-me saber nos comentários.