No passado domingo tive a minha Bênção dos Finalistas e Queima das Fitas. Foi um dia inesquecível e, de certo modo, indescritível! Ainda assim, irei dar o meu melhor para partilhar o significado que este dia teve, ao fim de três anos de crescimento pessoal e profissional. Foram três anos em que coloquei muito da minha essência em jogo e em que, essa atitude, me garantiu ser fiel a quem realmente sou.
Cheguei cedo a Setúbal. Num domingo em que os transportes escasseam para quem tem pressa, consegui estar junto da minha família trinta minutos antes do ensaio inicial da cerimónia. Não estava à espera de tanta energia, confesso. Após ter assistido a um evento semelhante, na altura da Bênção do meu irmão -- já lá vão dois anos --, a minha deixo-me completamente desarmado. Tanta energia num evento que esperava que demorasse a passar, coisa que não se verificou.
Dessa cerimónia, levo as mensagens que ficam para a vida. Confesso, não me poderei enquadrar naquele grupo de pessoas que se consideram totalmente religiosas. Eu sou mais pelas mensagens, pelos ensinamentos. Nas duas horas que estivemos a celebrar os esforços e a dedicação aplicada no nosso futuro como profissionais das nossas áreas, reti alguns que irei guardar para mim.
"Tão nós!" (Sara Almeida)
O dia foi maioritariamente a preto e branco, cores predominantes dos nossos trajes académicos. Para além dos emblemas coloridos e das fitas esvoaçantes no ar, o dia tomou cor pela companhia daqueles que nos são queridos: a família e os amigos acompanharam-nos numa, por vezes, dura caminhada com poucas noites de sono que ganhavam um outro ânimo com um sorriso ou uma força daqueles que nos estavam próximos.
Não é segredo que cheguei a Setúbal com um mindset individualista: era o mínimo que poderia fazer, em jeito de gratidão pelo esforço financeiro que a minha família me estava a assegurar -- já que sem ele teria sido muito complicado chegar aqui --, "tenho de terminar este novo curso de forma mais rápida possível e tenho de reter o máximo de saber que me for possível", pensei, por aquela minha sede de conhecimento. Não é que os planos me sairam furados, relativamente à minha forma de ver a vida? Na foto, vêem a Sara, que tal como poderam ler na parte 1 d'A recompensa, me acompanhou nestes três anos. Encontrei alguém com quem, realmente, senti que poderia por em jogo a minha essência, pela proximidade e empatia, que criámos. Percebi, naquela altura, que é suposto criarmos as condições para que os nossos resultados cheguem depressa e bem. Muitas vezes, eles, só chegam pela cooperação entre colegas -- que se tornaram grandes amigos -- e na postura de dar sem receber. Demos sem receber e, não por acaso -- acredito -- viémos a receber mais do que a dobrar, em resultados académicos, companheirismo, amizade, compreensão e apoio.
A família foi, de facto, "O" pilar nesta caminhada na minha Licenciatura em Gestão de Recursos Humanos. Não tirando o papel fundamental da minha família, o meu irmão gémeo esteve sempre lá, nos momentos altos e mais baixos desde a primeira vez que recebi um resultado de colocação no Ensino Superior, no ISEG em Lisboa, até ao recebimento da última classificação das disciplinas do curso que agora termino, em Setúbal.
O sonho começou lá bem atrás, numa altura em que, cheios de vontade de aprender, tanto eu como o meu irmão, dizíamos que queríamos estudar mais, ser alguém. Chegados a Lisboa, o sonho começou a concretizar-se, contudo, os caminhos paralelos acabaram por se desviar, os quais tinham sido dessa forma durante os 20 anos que precederam à minha mudança para Setúbal. Como irmão gémeo, não consigo celebrar nem ficar triste com as vitórias e derrotas, do Miguel, como se fossem as minhas. Dessa forma, e sabendo-o recíproco, esta foi uma dupla vitória! Este é o significado real deste dia!
Por tudo isso, não teria feito sentido levar ao palco, no momento da Queima das Fitas -- momento esse em que, em honra de um percurso académico, deixamos queimar a fita preta timbrada com a palavra "ACABEI" -- alguém que não o meu irmão gémeo. Foi um momento bonito, como podem imaginar. Felizmente, ficou registado em fotografia.
Com Helena Roque, docente na ESCE.
Tivesse havido a oportunidade e a acalmia necessária para registar em fotografia momentos com todos aqueles que contribuíram para quem somos hoje. Desengane-se quem pensa que não somos seres em construção, porque o somos. Somos seres em expansão de conhecimento e ele só acontece na presença de novas ideias, conceitos e formas de estar. Muitas delas, num ambiente de ensino, são transmitidas pelos professores. Na foto, estou acompanhado por uma professora que recordarei sempre com muito carinho, ao pensar sobre o meu percurso académico. Não será a única. Naquele dia, estavam no Jardim do Bonfim, em Setúbal, outros docentes meus com quem teria tido o prazer de tirar uma fotografia, embora não tenha sido possível. Não acaba aqui, isto. Mais oportunidades existirão.
Para espicaçar um pouco a sua curiosidade, deixe-me dizer-lhe que "não há duas sem três"! Haverá outra parte d'A recompensa? Talvez. Até ao próximo texto!
No dia 27 de maio, foi dia de paintball. Sabia que se usavam armas de tinta e que estas pintavam nódoas negras na nossa pele mas não sabia, ainda, o contributo que podia dar ao desenvolvimento de equipas. Leia sobre isso, neste texto!
O meu primo vai casar-se! Como um dos três padrinhos do noivo, coube-me a mim e aos restantes padrinhos, o previlégio de planear a despedida de solteiro. Procurámos fazer algo que fosse divertido para os convidados e noivo e acima de tudo que permitisse levar para o casamento algum nível de afinidade e identificação, entre todos. Passando pelas ofertas das empresas que desenvolvem programas para despedidas de solteiro, um boa parte delas, refere atividades como o paintball: de grupo, que envolvem diversão, equipas e, no fundo, um objetivo (no limite, a própria despedida de solteiro). Para atender ao conhecimento de todos, caso não tenham já ouvido falar do que se faz neste jogo, o jogador, devidamente equipado para sua própria proteção, tem nas suas mãos uma arma que dispara bolas de tinta que marcam o local onde embate o disparo. Com azar, batendo na pele de alguém, deixa uma boa nódoa negra. Não se assustem, vale a pena! É das poucas alturas que posso dizer que ficar com nódoas negras valeu -- mais que -- a pena!
Na atividade, eramos um grupo de 10 pessoas, 6 amigos do noivo, o noivo e os 3 padrinhos. Nós os três, só conhecíamos os restantes convidados pelas fotos do Facebook e das conversas que tivémos no grupo privado do evento. À semelhança do que acontece nas organizações, apenas conheciamos os artefactos -- elementos mais superficiais de uma cultura --, que como refere, também, o neuromarketing, não chegam para criar uma imagem consistente e que permita criar a identificação emocional com a organização. Estavamos assim: conheciamo-nos pouco. Depois, já com as equipas feitas, fez-se o treino, para a habituação com o equipamento, em que o objetivo era que uma das equipas recolhesse uma bandeira e a levasse para a sua base. Regressámos à zona de segurança, limpámos o equipamento e iniciámos, depois, o primeiro jogo a sério. Este, sim já correu bem melhor. Assim como o próximo.
Um dos principais comentários que surgiram, depois do primeiro jogo depois do treino, foi que "este correu bem melhor, estávamos mais coordenados". Traduzindo: trabalhámos mais em equipa e em direção a um objetivo comum. Nas equipas, vemos o mesmo comportamento: antes de um trabalhador conseguir trabalhar em equipa deverá ter algum nível de autonomia e à vontade com a sua função; deve entender o papel dele naquele grupo e perceber de que forma é que contribui para o objetivo e para o avançar da equipa. No nosso caso, no treino, as nossas necessidades individuais foram, por mais que não seja nos primeiros minutos, postas à frente das da equipa (como "conhecer o equipamento" e "disparar como se não houvesse amanhã para abater o maior número de adversários possível"). Uma vez ultrapassado o obstáculo individual, foi possível começar a ter alguma visão estratégica ("como nos vamos posicionar para ganhar vantagem?"). Claro! Era isso que nos faltava! Faltava-nos um fim melhor através de meios mais eficientes (menos bolas gastas por ataque).
O paintball é muito utilizado como teambuilding e para o desenvolvimento de competências como o trabalho em equipa, a liderança, o pensamento estratégico, a tomada rápida de decisão e priorização de atividades. A abordagem do paintball para estas temáticas é interessante, pelo meu ponto de vista, porque permite abordar o sistema ao invés de cada um dos indivíduos na equipa, e ver numa primeira fase -- de diagnóstico -- quais são os problemas que se fazem sentir e quais são os elementos com as características que sobressaem. Li uma vez uma frase interessante, que se aplica aqui a 100%:
Quando as tropas estão unidas, nem os corajosos podem avançar sozinhos nem os cobardes podem recuar.
A palavra ação anda nas bocas do mundo e não é para menos: a ação separa o sonhador do fazedor e os resultados sonhados dos resultados alcançados. Venha refletir, comigo, nesta verdade: "Mais vale uma má decisão do que decisão nenhuma" e talvez entre já hoje em ação.
Já Sir John Whitmore escrevia algo que distingue a performance dos indivíduos, distinguindo aqueles que têm resultados nas suas vidas pessoais e profissionais daqueles que não os têm. Whitmore escrevia que o que separa o wishful thinking dos resultados é, precisamente, a ação. De forma concordante, Bob Thomson dizia que -- nunca mais me irei esquecer isto -- que todo o desejo sem ação é queixume! Tenho de concordar com ambos os autores, ambos coaches, nestas sábias palavras. Quantas vezes disse coisas do género "tenho de emagrecer" e no final das contas não fez nada por isso: não foi correr, não foi ao ginásio -- a inscrição só não conta--, nem tão pouco alterou a sua dieta (se se reviu nisto, estamos juntos!). Mas eu, não tendo a capacidade de adivinhação -- sou apenas alguém apaixonado pelos Recursos Humanos e pelo Coaching -- acredito que todos os recursos que precisa para "fazer coisas" e ter resultados diferentes estão em si! Não toca, na sua cabeça, nenhuma campaínha, à medida que lê estas últimas palavras? Vou tocar de novo: se quando tem fome, pensa "vou comer uma sandes de fiambre" (wishful thinking) e depois tem, por fim, a sandes nas suas mãos, pronto a dar a primeira dentada, algo aconteceu pelo meio. É a ação que torna os resultados possíveis, neste último caso, bastou entrar na cozinha, e fazer o seu habitual procedimento de construção de uma sandes. Acredite, a expressão "construção de uma sandes" foi intencional. No final do dia, é isso que faz com os seus objetivos e com aquilo que mais aspira: também constrói os seus objetivos, passinho a passinho, começando a ganhar confiança em direção a eles, construindo as "fundações" necessárias para tal e, depois, começa a atingir metas intermédias até chegar àquele que é "O" objetivo.
Decisão. É a palavra que nos traz aquela maravilhosa frase. O que é a decisão? Acredito que é ela que dá impulso à ação. Ao longo dos nossos dias somos, constantemente, levados a tomar decisões de curto-prazo, muitas vezes, até imediatas. "Quero uma sandes de fiambre ou de queijo?", houve aqui uma decisão implícita. Mais ou menos consciente, foi tomada uma decisão que levou à ação, que falámos ainda há pouco. Vou deixar o desenvolvimento de como devemos estar presentes em nós para estarmos conscientes das nossas decisões, para assim aumentarmos a consciência sobre as nossas atuações, para outro texto. Neste, quero mesmo -- MESMO -- falar-lhe de como devemos ter as más decisões e como elas, no meu ponto de vista são melhores do que -- como disse uma vez um dos meus irmãos -- a "não decisão".
O que é uma má decisão? Boa pergunta... Tinha sido interessante terminar aqui o texto e fazer, consigo, se o quisesse, o jogo de o terminar e assim deixá-lo a refletir, segundo o seu sistema de crenças e valores. Mas, como quero mesmo -- MESMO -- falar-lhe disso, vou, também eu, tomar a liberdade de escrever algumas palavras. Acredito que uma decisão, para ser má, não precisa de ser pouco pensada. Até pode ser muito pensada e, no final das contas (e para o resultado que esperávamos) não ter sido a melhor. Aliás, permita-me a correção, não falêmos em "melhor", falêmos numa decisão que fez mais sentido, segundo o objetivo traçado e a realidade atual, para atingir determinada meta. Esta forma mais positiva e menos culpabilizadora de quem a pratica cria, nessa pessoa, uma emoção menos negativa e traz poder de atuação, acredito. Assim, na sua próxima má decisão já sabe: linguagem positiva!
Como seres em constante crescimento e desenvolvimento (não importa se pessoal ou profissionalmente) somos, utilizando uma metáfora, como potes, daqueles -- veio-me à cabeça -- de barro, grandes, e que se tentássemos abraçá-los completamente teríamos muita dificuldade. Está a pintar a imagem na sua mente? Somos isso, só que não temos fundo. Esta é a boa notícia! Não temos fundo! Não temos limite de crescimento, e porquê? Porque todos os dias, quer tenhamos 10 ou 100 anos, estamos sempre a aprender! Este pote representa as nossas aprendizagens ao longo da vida e, no limite, a nossa vida. O nosso pote enche-se de muitas formas (todas as aprendizagens, pessoas, experiências que alguma vez tivémos, conversas que nos marcaram...) mas importa referir que lá dentro, entre tudo o que temos no pote, estão as nossas más decisões. As más decisões são como portas de entrada para o nosso crescimento: ensinam-nos os caminhos que não devemos voltar a percorrer, as coisas que não devemos repetir ou as palavras que não devemos dizer. Estas constroem e enriquecem as nossas aprendizagens. Sem elas estariamos estagnados? Fica a pergunta.
A decisão nenhuma será a passividade, não será? Qual terá sido a razão por detrás dessa nenhuma decisão? Terá sido medo? Quem sabe... A verdade é que, dela, não sairá nada -- de produtivo, pelo menos -- a não ser arrependimento, no pior dos casos. O que é que é mais vantajoso para si? Será 1% de um pouco resultado ou 100% de nada acrescentado?
Resta-me desejar-lhe uma semana rica de experiências tranformadoras e felicidade. Esteja grato por tudo e, muito importante, por essas decisões menos positivas, e deixar-lhe uma pergunta: o que leva deste texto para uma próxima oportunidade de entrar em ação?
Venho deixar-vos o meu primeiro Facebook Live, no grupo que criei para a Alopécia, o Alopécia Positiva (ou como gosto de lhe chamar: o grupo das pessoas com A+).
A verdade é que reparei que não tinha, ainda, feito uma apresentação "formal" a meu respeito, nem tão pouco partilhado mais sobre a minha experiência, para além do que foi dito na entrevista que dei e que pode ouvir pelo link que se encontra na barra lateral direita, aqui no blog.
O texto de hoje é sobre o agora e o depois, sobre quem somos e quem queremos ser, e sobre como é que os conflitos nas nossas vidas deveriam ter impressos a nossa "melhor versão" para, assim, termos um melhor resultado. Fica, também a pergunta qual é a importância de nos esforçarmos para integrar, no nosso comportamento atual, o comportamento da nossa melhor versão, e assim respeitarmos quem queremos ser no futuro?
As pessoas que somos hoje não serão aquelas que seremos daqui a 5 anos. Muita coisa mudará em nosso redor que nos obrigará a ser dinâmicos relativamente a quem seremos. Para além do dinamismo que existe no ambiente que nos rodeia, temos também o nosso "Eu" futuro, mais ou menos evoluido relativamente ao momento presente, que estará a viver -- esperamos nós -- os sonhos que temos em construção, hoje. Se nos posicionássemos numa Linha do Tempo, e nos fosse pedido que dessemos um passo em frente e víssemos quem somos nós no futuro, veríamos, com certeza, um conjunto de características que tivémos de trabalhar e integrar para vivenciar a mudança que estamos à procura. Olhando lá para a frente, vemos alguém que gostaríamos de ser, muito provavelmente. Quanto a mim, é isso que vejo e acredito, mesmo, que para si é igual. À pessoa "que gostariamos de ser" chamamos, gentilmente, de nossa "melhor versão".
A nossa melhor versão é a pessoa capaz de corresponder com as exigências do futuro, com as características que temos hoje em dia, então potenciadas, de alguma forma, e as nossas "questões a melhorar" integradas de uma forma que sejam atenuados os efeitos que elas provocam nosso dia-a-dia. De forma simples, diríamos que Nós, na nossa melhor versão, somos quem gostaríamos de ser para chegar aos nossos objetivos e alcançá-los, com sucesso. Nesta nossa versão somos prósperos e férteis: temos sonhos -- muitos sonhos -- que se realizam porque estamos capazes e disponíveis para os fazer acontecer.
Tanto na nossa versão atual como na nossa melhor versão -- e como seres sociais que somos -- termos relações com conflitos e outras com algum stress aqui e ali, por mais pequeno que seja, é algo comum e habitual. Isto porque somos, simplesmente, pessoas diferentes com ideologias diferentes do que é viver pelos valores X ou Y e porque retemos as nossas experiências de maneira diferente porque os nossos "filtros" da realidade também são diferentes. Não será errado afirmar que, no jogo das relações pessoais, estamos perante um jogo de escolhas: escolha de como agir e reagir, no momento, e a escolha de como vamos lidar com a situação que se criou, no futuro, e como agir e reagir de acordo com ela.
Nas relações interpessoais poderá, até, fazer sentido falar de um contrato psicológico relacional -- à semelhança do que se teoriza para as relações de trabalho entre o empregador e o empregado --, onde está em jogo um conjunto de expetativas, necessidades, direitos e obrigações implicitos numa relação entre duas pessoas. Quando as cláusulas destes contratos são quebradas podemos ter a tendência de fazer crescer, numa relação interpessoal, um conflito tão grande quanto o nível de perceção que encontramos nessa quebra.
Esta questão é importante porque todos os dias lutamos para uma situação de equilibrio relacional: em que crescemos e permitimos, ao Outro, crescer connosco. Lutamos para que o nosso contrato tenha uma manutenção positiva e que, de alguma forma, consigamos corresponder com as nossas obrigações e receber aquilo a que temos de direito. Aqui entra, novamente, a palavra "escolha": como escolhemos nós, todos esses dias, fazer a manutenção dos nossos contratos com os Outros? Estamos, nós, a escolher e -- tão importante -- a agir de acordo com a nossa melhor versão? Por outras palavras, a nossa melhor versão iria estar de acordo e, de certa forma, a concordar, com a forma como lidamos com os conflitos que nos surgem, no agora?
Chamemos o que lhe quisermos chamar -- podemos chamar de karma ou de relação de causa/efeito -- mas acredito que a forma como lidamos com o que nos acontece, hoje, irá influenciar quem somos no futuro.
Se somos seres relacionais e que se influenciam mutuamente, as reações que influenciam -- por exemplo --, hoje e de forma menos positiva, uma relação com alguém poderão ditar resultados negativos, no futuro. Por outras palavras, podemos ter portas fechadas (ou abertas) num determinado ambiente como resultado das nossas ações e reações presentes.
Para si, o que lhe deixo hoje? Fica uma lista essencial para iniciar a sua reflexão sobre este tema. Procure responder:
Quais são os meus sonhos/objetivos? Como os quantifico? Quais são os recursos (internos e externos) que necessitarei?
Quem sou eu, hoje? Quais as minhas características mais positivas? Quais as minhas menos positivas, que todos dizem que deveria mudar?
No futuro, quem quero ser? Quais as características e competências que quero ter? De que forma são positivas? Serão obstáculos para atingir os meus sonhos? Como serei se potenciar as minhas características atuais mais positivas e atenuar as menos positivas?
Dada uma situação de stress relacional, recorrente, com alguém, como costumo reagir? Como me sinto por reagir assim? Como estará a outra pessoa a sentir-se? Como, no futuro, a minha melhor versão, reagiria às minhas reações presentes? Como teria, eu, de reagir para estar de acordo com a conduta da minha melhor versão? Como se sente a minha melhor versão, ao reagir de forma diferente?
Se fizer uma lista de comportamentos a alterar, quais são eles? Quando e como irei colocá-los em prática, no meu-dia-dia?
Como me responsabilizarei por a minha mudança? Quem poderá auxiliar-me na minha responsabilização?
...
A lista continua da forma que mais lhe for esclarecedora. Faça, então, a comparação do agora com o depois; do hoje com o amanhã; e procure a forma mais acertada de agir. Não negligencie a sua melhor versão. Ela dá-lhe muitas pistas de como atingir os seus sonhos. Porquê? Porque ela está lá, a vivê-los. Agora só precisa de apanhar o mesmo comboio.
Se este texto o ajudou, de alguma forma, não deixe de partilhar nas redes sociais (tanto no Facebook como no Twitter). Crescer é uma constante e eu estou aqui para o ajudar nessa caminhada!
Ouvi esta expressão há algum tempo atrás, embora já não me recorde bem onde. Por aguma razão ficou comigo e, de vez em quando, cá vem parar ao meu consciente. "A felicidade não é um pacote de bolachas" é uma expressão que tem várias interpretações e, hoje, deixo-vos a minha, aqui, no blog.
É verdade, decidi puxar pela criatividade dos meus seguidores do Facebook e perguntei-lhes o que eles achavam que a frase significava. Gostei das respostas que tive, umas mais próximas da minha interpretação do que outras, mas gostei! O espetro de interpretações foram desde a Economia -- relativamente à "satisfação" que mais uma bolacha dá a quem a come e como esta satisfação vai diminuindo à medida que se come mais uma bolacha -- à Matemática -- qual é a probabilidade de ser feliz sabendo que se comeu um pacote de bolachas. No limite poderia estar a falar no mesmo registo que utilizei quando escrevi sobre Bolo de Chocolate ou um Gelado de Limão, mas não. Vou arriscar fazendo uma interpretação diferente.
Há dias atrás, precisando de transporte para a estação de comboios, chamei um táxi específico. E fi-lo não por acaso: gosto de pessoas diferentes que se destaquem no que fazem, por essa razão. Tenho o número que está associado àquela viatura guardado na minha lista de contactos do telemóvel por uma razão em especial: aquele senhor, que conduziu o táxi, é diferente do que é recorrentemente anunciado nas noticias sobre o tipo "taxista" -- despreocupado com o cliente, antipático, e tudo o que há de negativo para descrever aqueles profissionais -- e, por valorizar isso, escolho-o a ele ou ao colega que conduz aquele carro, quando preciso de usar um táxi, naquela cidade onde estava. A questão importante aqui é que, durante a viagem, acabamos por conversar sobre a falta de compaixão que existe naquela profissão e, mesmo, na sociedade em geral.
Não caiamos no erro de generalizar, porque nem todas as pessoas são assim. Mas a verdade é que a falta de treino no sentido de termos compaixão pelo próximo faz com que deixemos de querer o bem alheio. Não fará esta lógica, tão deixada de parte, sentido nas nossas vidas cada vez mais individualistas?
Acredito que sim: que devemos ser menos individualistas e querer o bem do próximo e a sua felicidade, assim como queremos a nossa. Foi, por isso, que a expressão que dá título a este texto ressoou em mim. Fui percebendo com o tempo que sozinhos chegamos longe, porque não estamos dependentes de outros e podemos gerir o nosso tempo à nossa maneira, contudo, estamos limitados dentro da nossa própria realidade. Por outro lado, caso estejamos disponíveis para não ser tão individualistas e permitamos que outra pessoa entre connosco nos desafios que temos para superar não será, apenas, uma realidade em jogo mas sim duas, com tudo o que têm de melhor (para potenciar) e de pior (para atenuar), podendo, até, chegar ainda mais longe do que sozinhos. As possibilidades, assim, não são ilimitadas mas são quase isso.
Ah, é verdade: as bolachas? A felicidade não é um pacote de bolachas porque, contrariamente ao que acontece com este -- se eu tirar uma bolacha, a outra pessoa não pode tirá-la novamente, havendo aqui sempre uma dualidade: para eu ter algo, a outra pessoa tem de deixar de ter. Com a felicidade não é, de todo, assim. Não é por eu me sentir feliz por mim que a outra pessoa não pode estar feliz na sua vida. Não é por eu estar feliz que não posso querer que a outra pessoa seja feliz também. O resultado de eu acreditar no contrário (lógica do ter/perder) é estar a gastar a minha energia pensando que "devo ser mais feliz" que a outra pessoa e não a estando a usar para, de facto, correr atrás do que me faz feliz. E se a nossa felicidade passar pelo outro? Por exemplo, estar grato (já provado que está diretamente ralacionado com o sentimento de felicidade) por ter outras pessoas que me permitem praticar o que me faz feliz e o contrário, também.
Não vejamos a felicidade como um pacote de bolachas porque ela não o é. Há espaço para todos. Se queremos uma analogia com bolachas façamo-la com o tipo de bolachas que vemos na imagem de capa deste texto, as bolachas com pepitas de chocolate, em que na massa (representando a vida), temos várias pepitas que nos definem, motivam e nos dão razões para sermos cada vez melhores pessoas e melhores profissionais.