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Diogo Limão

Recursos Humanos

MESSENGER DO COACH | #1

 

Esta rubrica pretende, de uma forma criativa, responder às questões que usualmente são perguntadas aos Coaches, dentro ou fora do mundo digital. As questões aqui apresentadas são utilizadas a título de exemplo, bem como as suas respostas.

O Coaching Profissional e Ético, seguido pelo Coach Profissional, respeita o espaço e a pessoa do Cliente. Dessa forma, não sugere, julga ou opina sobre a vida deste. O Cliente será sempre a pessoa que mais sabe da sua própria vida, desafios e questões a tratar.
O papel do Coach é ser o profissional que deve ser, sendo ético, apoiando-se nas competências do Coaching Profissional.

 

CONFERÊNCIA ANUAL 2017 DA ICF PORTUGAL

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A Conferência Anual de 2017, da ICF Portugal, teve lugar nos espaços da Fundação Portuguesa das Comunicações, em Lisboa, no dia 21 de novembro, e participei nela enquanto coach, membro da ICF e voluntário.
 
Foi uma conferência magnífica, cheia de presença e na qual se respirava coaching. O tema deste ano foi inspirado numa frase de Sir John Whitmore "Coaching is Much More Than Coaching". E se é... Coaching é mais do que uma técnica ou ferramenta: é o ser e o estar, de mãos dadas, numa dança entre o Coach e o Coachee, no aqui e no agora, de forma genuína, em que a técnica dá forma aquilo que chamamos de Coaching Profissional.
 
Foi uma conferência com pessoas belas. É belo, na sua essência, quem dá o seu tempo para fazer os outros crescer e partilhar as boas práticas da profissão. Pessoas belas e maduras, que não se recatam. Chegam-se à frente, em cada ano e iniciativa da ICF Portugal, para partilharem reflexões e ensinamentos. É desta forma que criamos uma comunidade mais bem preparada para facilitar processos que criam mudanças positivas nas vidas dos Coachees, tanto individuais como organizações e equipas.
 
Cito um texto espetacular da ex-presidente do Chapter da ICF Rio de Janeiro e oradora nesta conferência, Dulce Soares,  que demonstra de forma clara o que foi vivido durante o dia:
 
Salve o dia 21/11/17!
O local é Lisboa; estamos em pleno inverno...
Hoje cedo começamos o dia com o Professor e Dr. Luiz Gamito.
Encadeamos com ele as 4 portas do ser humano: pensamentos - afetos - comportamento e biologia; ele deixa para mim a seguinte questão: de 1 milhão de euros:
Qual será a Porta do Grande Outro?
Mergulhando um bocadinho...
Qual porta acionamos mais vezes em nossa morada interna?
Estamos com todas elas abertas para nós?
Na segunda palestra; colocamos uma pitada de Coaching e confirmamos que coaching é muito mais do que coaching como sinalizou Sir John Withmore; antes de decolar para o infinito...
fizemos a travessia com a querida Carolina Menezes; fica para mim que precisamos nos Aproximar; Conhecer para então Saber... sobre o Grande Outro!
Acionamos com o mestre João Sevilhano a técnica; a intuição e a....intenção; com o recurso do Porta dos Fundos - canal do Facebook de nossos atores brasileiros; que sensibilidade João!
E que empatia!
Tu foste calibrando - as para fazermos a Arte do Coaching; ou será o Coaching com Arte...e aí chega a minha vez..
Fiz um convite a cada participante...pedi que cada um pegasse sua cadeira; 15’ antes de atender seu Coachee vá para o rio; lago ou mar, mas antes veja qual desses lugares tem mais ECO dentro de você; lá, pense seus pensamentos e sentimentos.. faça a decantação do que é seu... e pense no Grande Outro...
você terá uma ConVersa de coaching; uma ConVersa de desenvolvimento com alguém.. seu desafio...
verificar por qual Porta você entrará..
Quem é você quando está no seu melhor?
Qual sua maior qualidade; aquilo que faz bem sem esforço?
Como pode proteger suas fronteiras?
sabe aquele dia; que chegamos em casa e sentimos: hoje eu fui o melhor Coach que Eu podia ser... !
Algumas paradas necessárias.. cofeebreak; almoço...
e voltamos na parte da tarde; com Maria João e Paula Capaz aqui nós vimos um trailer da Escola do Futuro...que riqueza vocês trouxeram.. o instrumento de intervenção foi a Filosofia.. e o coaching através de um processo de boas perguntas...
Depois veio Ana Penim falando do perdão nas Relações profissionais... que giro e que coragem... que palestra!
trazer um tema ligado a espiritualidade ao mundo executivo.. a partir de uma homilia..
Que missa! E que ouro tu garimpaste.. parabéns!
Eu Tiro meu chapéu para ti! 👏👏👏
Mergulhando mais um pouquinho fomos com Aida Chamiça entre o medo e a curiosidade.. abraçamos o desconhecido....e para terminar tivemos acesso aos rascunhos de pensamentos de Sofia Calheiros; a primeira bandeirante do capitulo ICF Portugal..
E descobrimos com ela que somos enzimas.. bio catalisadores de energia!
Agradeço por tudo que vivi e aprendi com vocês hoje!
Vou mostrar ao mundo que vocês plantaram e eu colhi.
Com gratidão imensa do tamanho do Atlântico aos oradores; aos participantes e ao Board da ICF Portugal sob a batuta da sensível cuidadora Maria Helena Anjos.
Dulce Soares/useCoach
 
Muito grato à direção, aos voluntários e oradores que permitiram aos participantes sentir e receber aquilo que é o ADN da ICF Portugal. Muito orgulhoso por fazer parte da ICF, enquanto membro.
 
Algumas fotos do evento:
 

Captada por Diogo Limão

 

Captada por Diogo Limão

Captada por ICF Portugal

Captada por Karen Campo

Captada por Karen Campo

Captada por Diogo Limão

Captada por Rubio Soares

Captada por Dulce Soares

Captada por Karen Campo

 

 

Tudo é desenvolvimento pessoal quando se vive no presente

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Neste sábado em que a chuva parece ter dado tréguas, durante algumas horas, talvez, a quem vive em Lisboa, dou por mim a refletir sobre como a forma como aquilo que recebo nas redes sociais, na sua grande parte, está em concordância com o porquê de gostar de ouvir o que gosto e de pensar aquilo que penso. Reflito sobre como eu sou pelas mensagens e pelos ensinamentos que podemos recolher em diversas situações da nossa vida. 

 

Sentei-me no sofá, depois acordar e de tomar o pequeno-almoço, com uma chávena de café quente numa mão e como o meu tablet na outra, enquanto fazia tempo para que a cafeína fizesse o efeito que me é necessário para o meu dia começar, comecei a percorrer as notícias que o Facebook considera relevantes para mim. Houve, durante este tempo, espaço para ler e ver de tudo: desde os últimos avanços, opiniões e revoltas sobre os temas da atualidade em Portugal, passando por vídeos de comediantes que sigo com regularidade e que me influenciam a continuar a acreditar que ver a vida de forma positiva é o caminho a seguir, chegando, por fim, aos vídeos motivacionais, daqueles que, por circunstâncias das suas vidas, aprenderam lições que agora partilham com a comunidade -- vídeos esses que me motivaram a escrever este texto.

 

Foi isto que aconteceu: acabo de ver um vídeo, sugerido por uma página que sigo, no Facebook, em que a protagonista de história é uma mulher que habitualmente fala sobre parentalidade e sobre os desafios que encontra enquanto mãe e educadora. Neste vídeo, em particular, falava sobre como, depois do seu divórcio, estava praticamente sem dinheiro, duas crianças pequenas para criar, e muita vontade para fazer diferença na vida da sua comunidade -- já que seria esse o caminho, dizia ela, que a iria trazer para fora da espiral negativa que vivia. No final desta história, relevante porque falava de como o nosso foco nas pequenas coisas pode originar impactos grandes e significativos, fiz o que habitualmente faço: partilho na minha página profissional e no meu perfil pessoal. 

 

Sem pensar, e por procurar estar atento ao meu diálogo interior, tomo atenção a algo que disse para mim mesmo, numa voz bem distante que passaria despercebida, se a minha atenção estivesse focada noutra coisa qualquer: "eu sou pelas mensagens". Uma frase curta mas com significado maior: eu sou, realmente, pelas mensagens -- leia-se ensinamentos, aprendizagens -- que recebo todos os dias, porque é com essa frequência que quero sentir-me a crescer e a desenvolver-me como ser humano consciente de mim e dos outros. Sem surpresas, o primeiro pensamento consciente que tive, depois disto, foi que tinha de ir buscar  o computador para começar a escrever sobre isto no blogue, para mais tarde partilhar. Da parte que me toca, tenho de escrever  as ideias que me vão surgindo porque, à semelhança do que disse aqui, tenho de me encontrar num estado de flow, em que as palavras que escrevo saem genuínas e não forçadas. Talvez isto seja a razão dos bloggers insistirem na ideia de se escrever para eles próprios e não para os outros. Aqui para nós, faz todo o sentido: nos objetivos acontece o mesmo, como escrevi aqui.

 

Como já falei aqui no blogue, gosto de "conversas com sentido", e penso que só conversando desta forma conseguimos filtrar as mensagens que irão ser importantes para crescermos como pessoas, ainda assim, não nos enganemos que esta é a melhor forma de crescer

 

Sinto que aprendemos sempre que vivemos no aqui e no agora. Quando estamos disponíveis para escutar ativamente e de forma empática, todo o discurso que recebemos, para assim, o tornarmos nosso. 

 

Tenho aprendido muito com as coisas que leio, com os vídeos que vejo e com as músicas que oiço. Aquelas pessoas com quem tenho o privilégio de não sentir a necessitar de usar filtros e a quem me dou a conhecer de um ponto de vista mais profundo, sabem bem que, praticamente, só oiço música country. Para além de tudo o que envolve uma música deste género, tudo irá resumir-se à mensagem principal deste texto: música country é sobre a vida real e sobre os sucessos, fracassos e dores que se sente pela vida fora e das aprendizagens que podemos fazer sobre todos esses aspetos. Se sinto que preciso de tirar algum tempo para mim, para me reencontrar, este é, frequentemente, um dos meus refúgios mais especiais. 

 

Como é habitual nos meus textos, os corajosos que chegam ao último parágrafo, vão encontrar aquela lição que gostaria que levassem do que leram. É, sou assim, também: sou pelas mensagem que recebo e também por aquelas que transmito, já que nelas encontro a minha missão pessoal e profissional. Gostaria, realmente, de levar o leitor a refletir que não são -- só -- aqueles cursos de desenvolvimento pessoal, caros e que vendem que nem ginjas, que o vão tornar numa pessoa melhor, mais consciente de si própria, e com muitas aprendizagens na gaveta. O desenvolvimento pessoal é, acima de tudo, um processo de pequenas aprendizagens que escolhe fazer durante a vida, vindas do que lhe acontece, do que vê, do que ouve e do que sente sobre qualquer fonte que tenha disponível. Vamos fazer esta caminhada juntos?

A Incondicionalidade nos BONS Objetivos (e como os definir)

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A forma como encaramos os objetivos que estabelecemos na nossa vida é crucial para que o resultado seja positivo e consigamos, de facto, atingí-los. Há vários pontos importantes a considerar quando falamos sobre objetivos e é sobre isso que trata este texto. Em primeiro lugar, aproveitar para relembrar o primeiro passo para definir objetivos concretizáveis -- a sua estruturação -- e, depois, falar numa grande crença que limita o sucesso que esperamos desses objetivos. 

 

Um bom objetivo tem de ser bem construído até ao pormenor. Devemos conseguir, com ele, visualizar com clareza qual o objetivo final que pretendemos, a forma como vamos operacionalizar esse objetivo por ações e, obviamente, saber de que forma este objetivo é alcançável e realista. Muitos experts nesta matéria defendem algumas fórmulas de sucesso para definir bons objetivos e, desse conjunto, destaco três:

 

Os objetivos devem ser SMART (eSpecíficos, Mensuráveis, Alcançáveis, Realistas e Temporizados).

  • Específicos para que consigamos visualizar o resultado e saber o que é, para nós, o sucesso nesse objetivo;
  • Mensuráveis para que nos seja possível monitorizá-lo e identificar quando o atingimos;
  • Alcançáveis e Realistas, tendo em conta a conjetura, competências e recursos atuais ou possíveis de ser adquiridos;
  • Temporizados, uma vez que temos de ter presente quando queremos chegar ao resultado que pretendemos.

Também devem ser PURE (Positivo, entendido (Understood), Relevante e Ético)

  • Deverá ser positivo, já que assim criam maior motivação para o seu atingimento;
  • Deverá ser entendido (principalmente quando estabelecido numa relação de Coaching). Deve ser entendido o que é que o objetivo pressupõe e requer de quem o define, para que o resultado seja o esperado;
  • Deve ser relevante para quem o define, uma vez que, se isso não acontecer, poderá perder força e não levar a tomar uma ação concreta. Acredita-se que os objetivos devam ser "eu-centrados", ou seja, que a motivação parta de genuinamente de quem o criou, já que é-lherelevante, e não para "fazer um favor" a outra pessoa;
  • Deverá ser ético, não prejudicando ninguém à volta de quem o define, nem prejudique a própria pessoa.

E CLEAR (estimulante (Challenging), Legal, amigo do ambiente (Environmentally friendly), Adequado e documentado (Recorded))

  • O objetivo deve ser estimulante ao ponto de levar à ação;
  • Deverá ser legal, e amigo do ambiente. Requer, da pessoa que o define, consciência ambiental e relacional;
  • Deverá ser adequado à situação atual e futura que se pretende atingir;
  • Deverá ser documentado, como forma de levar a pessoa à sua própria responsabilização e para que seja possível, fácil e rápido, a sua monitorização.

 

Agora que já tem o que precisa para definir bons objetivos, basta pôr em prática: porque não define:

  1. 1 objetivo de longo prazo -- ou objetivo final -- e
  2. 3 objetivos de curto/médio prazo -- ou objetivos de desempenho -- (quem diz 3, diz aqueles que sentir necessidade) para monitorizar o quão bem está a atingir o objetivo final.

 

Imagine que quer perder 10 quilos até ao final do primeiro semestre de 2018, para se sentir com maior bem-estar geral (um 9, numa escala de 1 a 10, em que 10 é o maior nível de bem-estar possível) e conseguir acompanhar os seus filhos nos passeios de bicicleta, ao fim-de-semana (fator de motivação intrínseca, realmente importante para si!). Este é o seu objetivo final, o seu end goal.

Poderia traduzí-lo em objetivos de desempenho. Como? Talvez definir que, até ao primeiro trimestre, iria perder 5 quilos; iria fazer caminhadas/corridas, 3 vezes por semana, até ao final do prazo do objetivo final (primeiro semestre de 2018), durante 45 minutos -- se quiser ser ainda mais específico -- a uma velocidade média de 8.40 min/km.

 

Uma pequena nota pessoal, que me vai levar ao próximo tema deste texto: a incondicionalidade nos objetivos. Para isso recorrer-me-ei de um clássico objetivo no qual a incondicionalidade está clara: a perda de peso/mudança alimentar. Este é um desafio meu, pelo qual trabalho todos os dias.

 

Todos nós estamos familiarizados com o facto de, se queremos atingir uma meta relativa ao peso corporal, ou de nível de fitness em geral, temos de manter uma prática de exercício físico (cardio e força) regular e uma alimentação minimamente regrada. E, dessa forma, sabemos que existem os cheat days, aqueles dias em que pode comer porcarias que, de forma diária, iriam estragar aquilo que procura atingir. Este tipo de refeição, para mim, traduz a incondicionalidade existente nos objetivos desta natureza.

 

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A incondicionalidade é, por assim dizer, a nossa capacidade para entender que há momentos para trabalhar naquilo que pretendemos atingir e que há outros em que podemos fazer algo que, não indo completamente contra o que definimos, pode sair do plano pré-estabelecido. Mais, é o reflexo de um discurso interno empático para connosco próprios, que nos irá empoderar e motivar ao invés de nos tornar culpados por algo que escolhemos e que, acima de qualquer coisa, nos dá algum prazer. Sou incondicional comigo se, de uma forma positiva, entender que posso não ir treinar um dia para me reunir com os meus amigos; sou incondicional se por uma lesão pequena, entendo que as minhas ações podem sair do que previ mas que posso escolher fazer exercícios mais leves ao invés do treino comum.

 

Ser incondicional é fazer a nós próprios o que faríamos a um irmão a enfrentar um insucesso: procurariamos entender a sua realidade, de forma empática, motivando-o e criando-lhe um rede de segurança, através da compaixão, e dir-lhe-iamos que "para a próxima vai correr melhor" e ajudávamo-lo a ver que poderiam haver outros caminhos.

 

Assim, já sabe: defina muito bons -- excelentes! -- objetivos e trabalhe para eles, responsabilizando-se pelo resultado e pelas suas ações! Não se esqueça de não ser duro consigo mesmo, ao ponto de se desmotivar. Seja incondicional, sem nunca perder o foco.